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segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

“O QUE DIZ O ESPIRITISMO SOBRE CRIMES HEDIONDOS? ”

1 – Sucedem-se acontecimentos funestos, envolvendo ações criminosas que chocam a opinião pública, como o assassinato da menina jogada do sexto andar de um edifício, em São Paulo. O mal está se expandindo?
Melhor dizer regredindo. Quando lembramos o circo romano, a escravidão, os tribunais inquisitoriais, as cruzadas, o assassinato de recém-nascidos com deficiência física e tantos outros crimes de lesa-humanidade, praticados outrora com a iniciativa dos governos e o aplauso dos governados, dá para perceber que houve progresso. Hoje essas atrocidades geram repulsa, como está ocorrendo em relação ao episódio citado.
2 – Não obstante, crimes hediondos continuam ocorrendo, em escala progressiva. Chega a ser assustador.
É preciso considerar que a população mundial, no início do século passado, era de aproximadamente um bilhão e seiscentos milhões de habitantes. Hoje está mais que sete bilhões, quase quatro vezes maior. Por isso, embora em menor proporção, tais crimes ocorrem em maior número. Por outro lado, há o espantoso desenvolvimento dos meios de comunicação. Acontecimentos funestos tornam-se universalmente conhecidos em questão de minutos, chocando a opinião pública. Antes, raramente ou tardiamente tomávamos conhecimento do que acontecia fora do âmbito de nosso Estado ou de nosso país.
3 – Isso é bom?
Emmanuel, em psicografia de Chico Xavier, diz que o comentário em torno do mal é sempre o mal a expandir-se. Milhões de pessoas maldizendo episódios dessa natureza, revoltadas contra os criminosos submetidos à execração pública, entram numa faixa de desajuste e favorecem a ação de Espíritos perturbados e perturbadores, a gerar novas atrocidades, como rastilhos de pólvora a detonar explosivos.
4 – É uma perspectiva preocupante. A própria indignação popular favorecendo a expansão do mal?
Quando se adensam as nuvens sobre uma cidade, logo desabam temporais violentos, chuva pesada, raios destruidores, causando sérios prejuízos. O mesmo acontece com a atmosfera psíquica. Se a população não cultiva os valores morais preconizados por Jesus, turva-se o ambiente psíquico, favorecendo a incidência maior de ocorrências policiais, inclusive crimes que chocam a opinião pública.
5 – Não é razoável a indignação popular diante de crimes hediondos, pressionando as próprias autoridades para que haja justiça?
Justiça sob pressão é coerção que favorece a injustiça. Em defesa da paz é preciso que a nossa justiça, como ensina Jesus, exceda o olho por olho, dente por dente, de Moisés, exercitada por escribas e fariseus.
6 – Qual é a proposta de Jesus?
Uma justiça inspirada na compaixão, que nos coloca no lugar dos que praticam o mal para entender que são irmãos nossos, necessitados, como ensina Jesus, de tratamento, não de execração.
7 – É impensável para a maioria da população encarar dessa forma os que se comprometem em atrocidades, agindo com requintes de crueldade.
Isso apenas demonstra quão distanciados estamos da moral evangélica. E se o criminoso fosse nosso filho? Não nos sentiríamos de certa forma culpados por não lhe termos oferecido uma orientação moral que o isentasse de tais comprometimentos? E ainda que tivéssemos a consciência tranquila, não nos compadeceríamos dele, procurando ajudá-lo ao invés de repudiá-lo? A fórmula de Jesus é perfeita: aprendamos a nos colocar no lugar das pessoas, reconhecendo a doença moral dos que se comprometem com o crime e a dor moral daqueles que estão ligados a eles pelos laços familiares e afetivos.
8 – E quanto às vítimas desses crimes tenebrosos? Qual a sua situação após a morte?
Todo aquele que desencarna na condição de vítima recebe amplo amparo dos benfeitores espirituais. Não obstante, nossa posição além-túmulo não depende do tipo de morte que soframos, mas do tipo de vida que levamos. As crianças constituem um caso especial. Sem nenhum comprometimento com vícios, paixões e ambições, já que são Espíritos acordando para a vida física, são imediatamente amparadas, sem maiores problemas de readaptação à vida verdadeira.

Fonte: Chico de Minas Xavier. Por: Richard Simonetti
chicodeminasxavier.com.br/

“OS CALAFRIOS QUE SENTIMOS SÃO SINAIS DE ESPÍRITOS POR PERTO?

Em nossa reunião mediúnica, há um mês ou dois, estávamos em uma sala muito quente e abafada. O ventilador não conseguia, senão circular ar quente entre os membros, quando terminamos a parte de estudos e iniciamos as comunicações com os espíritos. Em pouco tempo, três comunicações simultâneas deram início.
Uma das comunicações despertou o tema deste texto. A médium começou a sentir frio, e o espírito relatou um acidente em um local muito frio, que provocou sua desencarnação. Como a médium pode sentir frio em um local tão quente? Se o espírito comunicante não está mais encarnado e também não se encontra no local em que desencarnou, por que relata sentir frio? Nas pessoas encarnadas as sensações são frutos dos órgãos dos sentidos.
Os olhos são uma espécie de transdutores de luz, que transformam as ondas luminosas de certa faixa de frequências em impulsos nervosos. Os ouvidos fazem o mesmo com ondas sonoras. Paladar e olfato transformam os sabores e odores; o tato transforma sensações de frio/calor, pressões sobre o corpo e movimentos.
O sistema nervoso leva os impulsos ao cérebro. A teoria espírita entende que, no caso dos encarnados, estes impulsos são processados pelo Espírito, através do perispírito. Os espíritos desencarnados não têm tato, porque se encontram desligados do seu organismo. Como podem sentir frio?
Após conversar com diversos espíritos, Kardec concluiu que os relatos de sensações por espíritos são recordações, memórias (questões 256 e 257 de O Livro dos Espíritos), empregadas para descrever o estado em que se encontra. O fundador do espiritismo usa a expressão latina sensorium commune para deixar claro que não há no perispírito o equivalente aos sensores da derme ou da audição e que o Espírito sente como um todo.
Em outras palavras, a consciência é uma faculdade espiritual, e não perispiritual. O Espírito desencarnado, contudo, ainda tem o registro das sensações que anteriormente eram recebidas do organismo, podendo trazê-las à consciência como evocamos uma recordação de infância. Por que então, Espírito comunicante, e, por consequência, a médium, relatavam sentir frio? Por que o Espírito acreditava estar ainda em meio à neve. Ele não era capaz de perceber que se comunicava através de uma médium que estava em uma sala quente, porque se sentia ainda confuso após a desencarnação.
O frio que a médium sentia é, portanto, uma percepção profunda da consciência um pouco perturbada do espírito comunicante. Em situações como esta, dar a notícia da desencarnação é menos importante que dialogar com o comunicante. Ao nos relatar suas vivências, sentimentos e sensações, ele vai aos poucos organizando sua experiência e assenhorando-se dela. Ele pode passar de um estado de confusão, a um estado em que é capaz de se comunicar com outros espíritos em melhor estado, capazes de auxiliá-lo.

Fonte: Chico de Minas Xavier. Por: Jáder Sampaio

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