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sexta-feira, 22 de setembro de 2017

“MORTES VIOLENTAS-PORQUE ALGUMAS PESSOAS MORREM DESSA FORMA. ”

Ao escrever o primeiro artigo sobre as mortes violentas, eu não imaginava que o tema interessaria a tantas pessoas, como aconteceu, e dar precedentes para muitos outros questionamentos envolvendo o assunto. Entre tantas perguntas que me chegaram e, as quais procurei responder cada uma delas em particular, uma foi a recordista: Por que tantas pessoas desencarnam dessa forma?
Analisando  as mortes trágicas somente pelo prisma material, realmente ficamos chocados, entristecidos e inúmeras dúvidas despontam em relação a bondade e o amor de Deus para com os seus filhos.
O que Ele quer nos mostrar com isso? Por que esse castigo para nós? Por que isso aconteceu com a gente, já  que ninguém merece uma morte assim?  Quase sempre são esses os questionamentos mais comuns de familiares e amigos de pessoas que tiveram morte violenta.
Não. Deus não quer mostrar nada a ninguém dessa forma, Ele não precisa disso, e tão pouco, castiga um que seja de seus filhos. Somos muito amados por Ele e  Seu amor é distribuído de igual modo para todos.
Já observando a temática pelo prisma espiritual, ou seja, com o conhecimento das leis da vida e de seus mecanismos, tão bem expostos pelo Espiritismo,  muda totalmente  a visão desses acontecimentos. Com olhos de ver, conforme asseverou Jesus,  entenderemos que todos nós valendo do amor incondicional do Pai e por estarmos  submetidos as  Suas sábias leis, Ele apenas permite e nos faculta as oportunidades necessárias para evoluirmos, libertarmo-nos  de nós mesmos, ampliarmos as nossas  potencialidades múltiplas e  dilatarmos as virtudes da alma que vibram em cada um nós, pois somos artífices de nós mesmos. Estamos, a cada dia, construindo o ser que desejamos ser.
Essa é a visão que temos de nós mesmos quando  estamos ainda no Mundo Espiritual e que, chegando aqui, envolvidos pelo véu do esquecimento, às vezes, revoltamos com aquilo que tanto pedimos, imploramos  para passar , quando aqui estivéssemos reencarnados.
Nessa linha de raciocínio, entendo que quatro são as principais causas que podem levar pessoas a desencarnarem em mortes trágicas:
Expiação – resgates de débitos que contraímos em existências passadas com ações delituosas. Para entendermos melhor a questão em análise, podemos observar que, hoje, conhecemos bem as pessoas que convivemos e até  a nós mesmos, mas não sabemos o que fomos e fizemos antes para ter que resgatar os débitos de forma tão trágica.
Só para você ter uma idéia, reflita: Se  no presente, mesmo já  desfrutando de algum conhecimento espiritual, às vezes, ainda, nos pegamos fazendo algo  contrário ao amor que nem  nós mesmos  aprovamos. Imagina  o que devemos ter feito a muitos séculos atrás, quando estávamos envolvidos por densa ignorância espiritual e materialidade?
Na vida espiritual,conforme vamos detectando esses comprometimentos passados e tendo consciência do mal que fizemos, pedimos e , até, imploramos para resgatá-los , libertando-nos assim da consciência culpada.
Lembramo-nos que o amor apaga uma multidão de pecados, ou seja, com nossas ações benfazejas, muitos carmas negativos são apagados, não precisando, assim, passar pelo mesmo mal que  provocamos em outros. Deus não quer que suas criaturas fiquem sofrendo, Ele permite apenas  que, com a dor, sejamos reeducados para a vivência no amor. A dor será necessária até aprendermos amar incondicionalmente.
Importante lembrar, também, que ninguém nasceu para fazer alguém resgatar seus débitos. Ninguém veio ao mundo para provocar tragédias na vida dos outros. Não. Os próprios mecanismos da vida oferecem as contingências e circunstâncias para tal. Exemplo: Não é porque matei alguém em existência passada que alguém precisará reencarnar para me matar agora.
Outra coisa muito importante, a saber:  Somos cobrados em apenas  um por cento daquilo que fizemos no campo do mal, pois isso, já bastará para um espírito ser reeducado para o amor. Exemplo:      Posso ter tirado a vida de inúmeras pessoas em vidas pretéritas, mas bastará eu perder a vida física uma vez, seja num acidente, em uma cirurgia mal sucedida, em uma tragédia natural,  e outro acontecimento inesperado, para que isso já me dê uma nova  consciência e me fazer  sentir, na pele, a importância da existência física para  a evolução do espírito.
Provação – quando o espírito, ao reencarnar, passa por muitos desafios, dificuldades, dores, perdas para desenvolver em si, experiências que ainda não possui;  virtudes que deseja muito obter; potencialidades que quer dilatar na alma e muitas outras conquistas que o espírito almeja.
Importante lembrar que, geralmente, as provas são pedidas pelo próprio espírito antes de reencarnar.      Quando elas sendo justas e necessárias para a evolução daquele espírito, e ele, já possuindo condições para  suportá-las, serão, então, autorizadas por Deus.
Por exemplo:  Para o espírito desejoso de aprender a virtude do  desprendimento e  sair do materialismo que nele impera, levando-o para o campo de espiritualização, as mortes inesperadas, trágicas  são muito oportunas para esses ensejos.
Missão  –  muitos espíritos, já bem evoluídos, vêm à Terra  com a missão de ajudar na evolução da humanidade trabalhando em alguma área. Chegando aqui, num mundo onde o mal predomina, são, às vezes, muito agredidos, atacados, violentados, pois a luz que espargem incomodará as trevas. A própria história da humanidade nos dá conta dos grandes vultos do bem que foram, em alguma época, mortos no planeta. O maior exemplo do que falo é o próprio Cristo. O que fizemos com Ele e, depois, com aqueles que vieram  nos lembrar Dele?  Destruimos suas vidas físicas utilizando-se  das cruzes, das feras , das fogueiras santas, das armas de fogo e das penitenciárias imundas do mundo.
Hoje tudo isso ainda continua acontecendo, agora, com os  respaldos cruéis da ciência e da tecnologia. Muitos benfeitores são trucidados, mortos  da forma mais sutil, sem deixar um rastro se quer da criminalidade utilizada pelo mal, ou então,  as mortes  deles ficarão por conta das falhas dos equipamentos médicos  ou tecnológicos que não funcionaram  bem como deveriam ou, então, por falha humana que não soube usar direito os recursos da modernidade.
Para  a nossa alegria, esses espíritos evoluídos, mesmo desencarnando de forma violenta,  deixam seus legados vibrando em nossas mentes e consciências, nos convidando, motivando-nos e sustentando-nos na idéia de que podemos ser melhores seres humanos para o planeta, para que o planeta possa vir ser melhor moradia para a humanidade futura.
Perigos naturais de um mundo material em transformação – sabemos pela própria ciência material, que tudo o que está no Universo, está em constantes transformações. O nosso mundo não é diferente, ele não está pronto, experimenta muitas transformações e, por conta  dessas mudanças, principalmente daquelas que ocorrem nas suas entranhas mais íntimas,  corremos o risco de sermos atingidos  pelos efeitos de alguma delas, como por exemplo: terremoto; furacão; tsunami; vulcão e outros tantos abalos naturais.
Quando estamos nas escolas espirituais nos preparando para reencarnar na Terra, sejamos espíritos pouco evoluídos, de evolução mediana ou de grande vulto, somos lembrados que poderemos ser atingidos por essas ocorrências, porém o que vai determinar isso na nossa vida será sempre o nosso histórico espiritual.
Na erraticidade, somos lembrados também, que estaremos  estagiando num mundo onde o mal predomina e, com isso,  poderemos ser atingidos pelos frutos  da maldade encontrados nos corações menos evoluídos, porém vai sempre depender do nosso histórico espiritual passado.
Diante de tudo isso, o mais importante é estarmos sempre convictos que nada em nossas vidas ocorre por acaso, ninguém é vítima de nada e de ninguém. Que aqui no planeta nenhum de nós está sendo castigado e que não existe nenhum sofredor inocente. Como asseverou Jesus: “ A cada um segundo suas obras.” E o Espiritismo acrescenta racionalmente: “ A cada um segundo as suas necessidades de evolução e crescimento”.
Portanto, viva como se nunca tivesse que morrer, mas preparado para morrer a todo instante. Isso é sabedoria espiritual.
Viva a vida! Pois ninguém foi criado para a morte, fomos todos criados para viver a imortalidade que só existe para a alma.
Ismael Batista da Silva- Rede Amigo Espírita

Ismael Batista da Silva é natural de Guaxupé, Minas Gerais, onde reside atualmente.  Aposentado, espírita de berço, trabalha como médium e coordenador de cursos doutrinários no Centro Espírita Nova Era - instituição frequentada pela sua família materna,  a começar por sua bisavó – vovó Chiquinha.
Residiu por 33 anos na cidade paulista de São José do Rio Pardo, onde dirigiu, por 10 anos, a Sociedade Beneficente Espírita Paulo de Tarso e o Asilo Lar de Jesus. Nessa cidade fundou e construiu a Fundação Espírita Dr. Bezerra de Menezes, entidade que atende inúmeras pessoas nas suas múltiplas necessidades.
Foi Presidente e Diretor Doutrinário de USEs – intermunicipal  e regional.  Fundou e atualmente preside o IDEG – Instituto de Divulgação Espírita de Guaxupé.



“VIOLÊNCIA DOMÉSTICA NA VISÃO ESPÍRITA. ”

A rigor, as relações familiais deveriam ser, acima de tudo, de ordem ética. Mas, observa-se nelas uma deterioração emocional profunda e uma complexa malha de desestabilidades morais, que nos importa examiná-las. No clã familiar antigo, sem dúvida, encontrava-se um espaço de convivência maior entre seus membros, embora não se esteja discutindo sua qualidade. Na atual arrumação familiar, pelo contrário, e apesar das menores dificuldades materiais, encontra-se um espaço menor. A tecnologia volátil é responsável, quase que diretamente, por essa conjuntura, pois, ocupam-se espaços importantes para assistir televisão, ouvir música [com fone de ouvido], navegar na Internet - e assim por diante. Em face disso, somos instados a confirmar que o instituto familiar necessita de apoio religioso para alcançar seu equilíbrio moral.
Recentemente, a imprensa divulgou os seguintes fatos: uma jovem, em São Paulo, matou os pais com a ajuda do namorado; um casal atirou um bebê contra um automóvel; um casal jogou menina pela janela do prédio. Nos casos acima, não ignoramos fatores motivadores dos crimes como o uso de drogas, paixões descontroladas, recalques infanto-juvenis, ambição financeira e outros levados a conta de transtornos emocionais e mentais capazes de subtrair, temporariamente, a capacidade de raciocínio e equilíbrio.
A violência do homem civilizado tem as suas raízes profundas e vigorosas na selva. O homo brutalis tem as suas leis: subjugar, humilhar, torturar e matar. O pragmatismo das sociedades contemporâneas coisificou o homem, o que vale dizer que o nadificou no plano moral. O mesmo indivíduo que se prostra diante das imagens frias dos altares, nos templos suntuosos, volta ao seu posto de mando para ordenar torturas canibalescas. O homem contemporâneo vive atormentado pelo medo, esse inimigo atroz que o assombra, uma vez submetido às contingências da vida atual, de insegurança e de incertezas, resultando em transtornos graves da mente, pela angústia dissolvente da própria individualidade.
Muitas famílias vivem e revivem agressividades múltiplas, influenciadas pela violência que, insistentemente, é veiculada pelos noticiários, pelos documentários, pelos filmes, pelas torpes telenovelas e pelos programas de auditório (cada vez mais obscuros de valores éticos). Alguns familiares assimilam, subliminarmente, essas informações e, no quotidiano, sobretudo, reagem, violentamente, diante dos reveses da vida ou perante as contrariedades corriqueiras. A brutalidade familiar tem esmaecido, consideravelmente, o caminho para Deus. Há os que condenam a violência alheia, mas, no entanto, no dia-a-dia, ao invés de agirem de forma pacífica e fraterna, são quais andróides, revidando com a mesma moeda as agressividades sofridas. Existem aqueles casais que dizem viver um amor recíproco e, no entanto, quando há qualquer desentendimento entre eles, são extremamente hostis um com o outro. Há os que vêem no cônjuge um verdadeiro teste de paciência, pois os seus "santos" não se "cruzam". Mais ainda, quando o assunto são os filhos, há pais que dizem adorar todos eles, mas os consideram espíritos imaturos, que dão muito trabalho e, não raro, desgostos. A vida em família, nessas condições, transforma-se em verdadeiro tormento. Na verdade, se não os aceitarmos, hoje, como são, teremos de aceitá-los amanhã, pois as leis da vida exigem, segundo nos ensinou Jesus, que nos entendamos com os nossos irmãos de penosa convivência 'enquanto estivermos a caminho com eles'. A fuga aos deveres atuais será paga mais tarde com os juros devidos. Os filhos difíceis são filhos de nossas próprias obras, em vidas passadas, que a Providência Divina, agora, encontra a possibilidade de nos unir pelos laços da consangüinidade, dando-nos a maravilhosa chance de resgate, reparação e os serviços árduos da educação.
Devemos ensinar a tolerância mais pura, mas não desdenhemos a energia, quando necessária no processo da educação, reconhecida a heterogeneidade das tendências e a diversidade dos temperamentos. "O lar não se fez para a contemplação egoística da espécie, porém, para santuário onde, por vezes, exigem-se a renúncia e o sacrifício de uma existência inteira." (1) Por todas essas razões, precisamos aprender a servir e perdoar; socorrer e ajudar os jovens entre as paredes do lar, sustentando o equilíbrio dos corações que se nos associam à existência e, "se nos entregarmos realmente no combate à deserção do bem, reconheceremos os prodígios que se obtêm dos pequenos sacrifícios em casa por bases da terapêutica do amor." (2)
Muitos temem a violência. Erguem altos muros com fios eletrificados ao redor de suas residências, tentando evitar que ela (a violência) os atinja. Contratam seguranças para protegerem suas empresas e seus lares. Instalam equipamentos sofisticados que os alertem da chegada de eventuais usurpadores de seus bens. Contudo, existe outro tipo de violência que não damos atenção: é a que está fincada dentro de cada um de nós. Violência íntima, que alguns alimentam, diariamente, concedendo que ela se torne animal voraz. É o ato de indiferença que um elege para apunhalar o outro no relacionamento doméstico, estabelecendo silêncios macabros às interrogações afetuosas. São os cônjuges que, entre si, pactuam com a mudez, como símbolo do desconforto por viverem, um ao lado do outro, como algemados sem remissão. A violência de fora pode nos alcançar, ferir-nos e, até mesmo, magoar-nos profundamente, mas, a violência do coração (interna), silenciosa, que certas pessoas aplicam todos os dias, em seus relacionamentos, é muito mais perniciosa e destruidora. A paz do mundo começa sob o teto a que nos albergamos. "Se não aprendemos a viver em paz, entre quatro paredes, como aguardar a harmonia das nações?" (3)
O Espiritismo explica que "os que encarnam numa família, podem ser Espíritos simpáticos, ligados por anteriores relações, que se expressam por uma afeição recíproca na vida terrena. Mas, também pode acontecer sejam completamente estranhos uns aos outros esses Espíritos, afastados entre si por antipatias igualmente anteriores, que se traduzem na Terra por um mútuo antagonismo, que aí lhes serve de provação." (4) O apostolado de reajuste há de se iniciar nos pais, porquanto, despertos para a lógica e para o entendimento, são convocados pela sabedoria da vida ao apaziguamento e à renovação. Trazidos à reencarnação para os alicerces dos fenômenos sócio domésticos, não é somente a relação dos pais para com os filhos que assume caráter de importância, mas, igualmente, a que se verifica dos filhos para com os pais. "Os pais não conseguem penetrar, de imediato, a trama do destino que os princípios cármicos lhes reservam aos filhos, no porvir, e os filhos estão inabilitados a compreender, de pronto, o enredo das circunstâncias em que se mergulharam seus pais, no pretérito, a fim de que pudessem volver do Plano Espiritual ao renascimento no Plano Físico." (5)
Somos defrontados, em todos os departamentos da família humana, pelas ocorrências da aversão inata. Pais e filhos, irmãos e parentes outros, não raro, se repelem, desde os primeiros contatos. "Pais existem nutrindo antipatia pelos próprios rebentos, desde que esses rebentos lhes surgem no lar, e existem filhos que se inimizam com os próprios pais, tão logo senhoreiam o campo mental, nos labores da encarnação. Arraigado no labirinto de existências menos felizes, decerto que o problema das reações negativas, culpas, remorsos, inibições, vinganças e tantos outros está presente no quadro familiar, em que o ódio acumulado em estâncias do pretérito se exterioriza, por meio de manifestações catalogáveis na patologia da mente."(6)
A família, para determinadas religiões e sociedades, é algo indissolúvel. Tempos atrás, a manutenção dessas famílias era, somente, para manter aparências de respeito e felicidade. Hoje, observam-se famílias se desfazendo por trivialidades. O que é o ideal? A família de "porta-retratos" ou a família que se dissolve na primeira "tempestade moral"?
Cabe ao Centro Espírita dimensionar os serviços de suporte à família atual, mas não de forma isolada. Deve o Centro Espírita integrar suas ações com outras instituições, tanto de caráter religioso como social, na busca da melhor qualidade do atendimento individual e coletivo, naturalmente, sem perder sua identidade doutrinária, mas, objetivando o resgate da ordem moral, que deve alicerçar a família como espaço de convivência.
"O culto do Evangelho é uma forma de reunir a família em torno de um objetivo comum. A comunhão familiar, onde todos conversam, trocam idéias, falam de seus problemas, comentam suas atividades à luz dos ensinamentos de Jesus, representa o mais eficiente estímulo para o estreitamento das ligações afetivas, transformando o lar em porto de segurança e paz, com garantia de equilíbrio e alegria para todos".(7) Quem estuda o Evangelho, e se esforça por praticar seus preceitos, vê-se melhor instrumentalizado para a vida familiar nos tempos atribulados em que vivemos, encontrando conceitos lógicos e racionais para o entendimento da vida numa visão evangélica consciente. O espírita-cristão deve se armar de sabedoria e de amor, para atender à luta que vem sendo desencadeada nos cenários domésticos em geral, concitando à concórdia e ao perdão, em qualquer conjuntura anárquica e perturbadora da vida moderna, pois "quando a família ora, Jesus se demora em casa". (8) É verdade - "quem cultiva o Evangelho em casa, faz da própria casa um templo do Cristo." (9) Logo, é imprescindível praticarmos os Ensinos de Jesus no lar, contribuindo com a parcela de mansidão para pacificá-lo. O homem moderno ainda não percebeu que somente a experiência do Evangelho pode estabelecer as bases da concórdia, da fraternidade e constituir os antídotos eficazes para minimizar a violência que, ainda, avassala o ninho doméstico e deságua na sociedade.
Portanto, mesmo num ambiente familiar conturbado, onde existe a evidente reunião de Espíritos não afinados, quando se institui a presença de Jesus nesse lar, esse "(...) produz sinais evidentes de paz, e aqueles que antes experimentavam repulsa pelo ajuntamento doméstico descobrem sintomas de identificação, necessidade de auxílio mútuo." (10) "A prece proferida de coração é uma emissão eletromagnética de elevada potência. Por isso, ela se reveste de significativa importância na defesa mento-espiritual do indivíduo e do próprio lar. Os pais que possuem o hábito da prece devem insistir por transferir esse precioso elemento de equilíbrio e proteção psíquica para os filhos, pois necessitamos dessa realimentação vibratória com o Genitor Divino para manter o nosso psiquismo estabilizado nas esferas elevadas, e essa comunhão com o Criador se estabelece através da prece sincera e singela, principalmente, quando proferida e bem sentida no seio familiar, transformando qualquer sombra em alegria e bem estar de todos.
Fonte: Rede Amigo Espírita. Por :Jorge Hessen
E-Mail: jorgehessen@gmail.com
Site: http://jorgehessen.net
FONTES:
(1) XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador. Ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: FEB, 1995
(2) XAVIER, Francisco Cândido. "Caminhos de Volta" - Espíritos Diversos, SP: IDE 1976
(3) XAVIER, Francisco Cândido. Jesus No Lar ditado pelo Espírito Néio Lucio, Rio de Janeiro: FEB, 2001
(4) KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, cap. XIV
(5) XAVIER, Francisco Cândido. Vida e Sexo, Ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001
(6) Idem
(7) SIMONETTI ,Richard. Temas de Hoje, Problemas de Sempre, SP: ed. Correio Fraterno 1990
(8) FRANCO, Divaldo Pereira. SOS Família, ditado pelo Espírito Joanna de Angelis, Salvador: Ed. Leal, 2006
(9) XAVIER, Francisco Cândido. Conduta Espírita, ditado pelo Espírito André Luiz. Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1996, cap. 5
(10)FRANCO, Divaldo Pereira. Florações Evangélicas, ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis, Salvador: Ed. LEA

“UNIÃO INFELIZ-CASAMENTO E SEPARAÇÕES. ”

Dolorosa, sem dúvida, a união considerada menos feliz. E, claro, que não existe obrigatoriedade para que alguém suporte, a contragosto, a truculência ou o peso de alguém, ponderando-se que todo espírito é livre no pensamento para definir-se, quanto às próprias resoluções.
Indiscutivelmente, os débitos que abraçamos são anotados na Contabilidade da Vida; todavia, antes que a vida os registre por fora, grava em nós mesmos, em toda a extensão, o montante e os característicos de nossas faltas. A pedra que atiramos no próximo talvez não volte sobre nós em forma de pedra, mas permanece conosco na figura de sofrimento. E, enquanto não se remove a causa da angústia, os efeitos dela perduram sempre, tanto quanto não se extingue a moléstia, em definitivo, se não a eliminamos na origem do mal. Nas ligações terrenas, encontramos as grandes alegrias; no entanto, é também dentro delas que somos habitualmente defrontados pelas mais duras provações. Isso porque, embora não percebamos de imediato, recebemos, quase sempre, no companheiro ou na companheira da vida intima, os reflexos de nós próprios. É natural que todas as conjunções afetivas no mundo se nos figurem como sendo encantados jardins, enaltecidos de beleza e perfume, lembrando livros de educação, cujo prefácio nos enleva com a exaltação dos objetivos por atingir.
A existência física, entretanto, é processo específico de evolução, nas áreas do tempo, e assim como o aluno nenhuma vantagem obterá da escola se não passa dos ornamentos exteriores do educandário em que se matricula, o espírito encarnado nenhum proveito recolheria do casamento, caso pretendesse imobilizar-se no êxtase do noivado. Os princípios cármicos desenovelam-se com as horas. Provas, tentações, crises salvadoras ou situações expiatórias surgem na ocasião exata, na ordem em que se nos recapitulam oportunidades e experiências, qual ocorre à semente que, devidamente plantada, oferece o fruto em tempo certo. O matrimônio pode ser precedido de doçura e esperança, mas isso não impede que os dias subsequentes, em sua marcha incessante, tragam aos cônjuges os resultados das próprias criações que deixaram para trás. A mudança espera todas as criaturas nos caminhos do Universo, a fim de que a renovação nos aprimore. A jovem suave que hoje nos fascina, para a ligação afetiva, em muitos casos será talvez amanhã a mulher transformada, capaz de impor-nos dificuldades enormes para a consecução da felicidade; no entanto, essa mesma jovem suave foi, no passado - em existências já transcorridas -, a vítima de nós mesmos, quando lhe infligimos os golpes de nossa própria deslealdade ou inconsequência, convertendo-a na mulher temperamental ou infiel que nos cabe agora relevar e retificar. O rapaz distinto que atrai presentemente a companheira, para os laços da comunhão mais profunda, bastas vezes será provavelmente depois o homem cruel e desorientado, suscetível de constrangê-la a carregar todo um calvário de aflições, incompatíveis com os anseios de ventura que lhe palpitam na alma. Esse mesmo rapaz distinto, porém, foi no pretérito - em existências que já se foram - a vítima dela própria, quando, desregrada ou caprichosa, lhe desfigurou o caráter, metamorfoseando-o no homem vicioso ou fingido que lhe compete tolerar e reeducar. Toda vez que amamos alguém e nos entregamos a esse alguém, no ajuste sexual, ansiando por não nos desligarmos desse alguém, para depois somente depois - surpreender nesse alguém defeitos e nódoas que antes não víamos, estamos à frente de criatura anteriormente dilapidada por nós, a ferir-nos justamente nos pontos em que a prejudicamos, no passado, não só a cobrar-nos o pagamento de contas certas, mas, sobretudo, a esmolar-nos compreensão e assistência, tolerância e misericórdia, para que se refaça ante as leis do destino. A união suposta infeliz deixa de ser, portanto, um cárcere de lágrimas para ser um educandário bendito, onde o espírito equilibrado e afetuoso, longe de abraçar a deserção, aceita, sempre que possível, o companheiro ou a companheira que mereceu ou de que necessita, a fim de quitar-se com os princípios de causa e efeito, liberando-se das sombras de ontem para elevar-se, em silenciosa vitória sobre si mesmo, para os domínios da luz.


CHICO XAVIER-EMMANUEL-(Do livro Sexo e Vida)