Seguidores

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

“QUEM É NOSSO MENTOR ESPIRITUAL E QUAL O SEU PAPEL EM NOSSAS VIDAS”



Segundo a Doutrina Espírita, todos os homens que empenham em seguir determinado caminho têm ao seu lado o amparo espiritual daqueles, que, desencarnados, se propõem a ajudar encarnados que têm o mesmo objetivo, crença ou propósito. Médicos, Professores, atores, juízes, religiosos, todos contam com a parceria e orientação, embora muito sutil, do plano espiritual. Quem nunca recorreu a um amigo ou conselheiro para resolver determinadas questões? Para os médiuns não é diferente, pois estão imbuídos do compromisso que assumiram antes da reencarnação de servir de intermediário entre os dois planos da vida. E todos eles, sem exceção, contam com a presença de um guia espiritual.
    O papel de um mentor é muito parecido com o trabalho de um professor. Quando se aproxima de um médium, é pela sintonia de afinidade. E o seu papel, diferente do que muitos espíritos imaginam, não é o de proteger o seu pupilo, mas sim orientar e ensinar. A proteção espiritual fica a cargo dos espíritos protetores do médium, normalmente familiares e amigos de outras existências, e, também, do anjo da guarda. A função do mentor é exclusivamente de orientação espiritual. André Luiz os classifica como grandes almas, pelo papel desempenhando junto aos homens. Estão muito ligados à humanidade e certamente ainda têm a possibilidade de retorno à carne. Não sabem tudo e estão empenhados em aprender e aprimorar seus conhecimentos para melhor amparar os seus protegidos.
    Um único médium pode ter mais de um mentor e um único espírito pode amparar vários médiuns ao mesmo tempo. Chico Xavier é o nosso maior exemplo: teve Emmanuel como guia por varias décadas de sua existência, e contou também como a colaboração de várias outras entidades que, em momentos diversos, o orientaram e guiaram os seus trabalhos. No caso de Chico, estes espíritos sempre trabalharam com a supervisão de Emmanuel, que era o mentor e orientador de toda a sua vida mediúnica, com o qual havia traçado sua missão na terra.
    A importância deles em nossa vida: “se que as vejais, perambulam em vosso meio, atuam em vossos atos, sem que vossos nervos visuais lhes registrem a presença. Edificante é observarmos o sacrifício de tantos seres envolvidos que se consagram a sagrados labores, no planeta das sombras, quais os da regeneração de individualidades obcecadas no mal, atirando-se com destemor a tarefas penosas, cheios de renúncia santificadora”. Analisando as palavras de Emmanuel entendemos que os mentores estão mais próximos de nós do que imaginamos e sua interferência em nosso dia a dia vai além das orientações passadas através da intuição. Eles militam diretamente no plano material e usam este trânsito livre entre os dois planos para auxiliar melhor os seus protegidos. Um mentor sempre guiará seu pupilo nos caminhos certos e se afastará dele naqueles momentos em que o protegido se render as escolhas com as quais o espírito não comunga. Há neste caso, uma divergência de ideias, normalmente ligada aos prazeres inferiores. O mentor costuma se reaproximar do médium quando ele apresenta a vontade de retorna ao caminho certo.
    Allan Kardec perguntou sobre a possibilidade de um espírito abandonar o trabalho junto ao médium que não segue as suas recomendações, obtém a seguinte resposta: “ele se afasta quando vê que seus conselhos são inúteis e a vontade de aceitar a influência dos Espíritos inferiores é mais forte no seu protegido. Mas não o abandona completamente e sempre se faz ouvir; é; porém, o homem quem fecha os ouvidos. O protetor volta logo que seja chamado.”
C.A.Espiritual-ESPIRIT BOOK

“ESPÍRITO DO DR. FRITZ E SUAS IMPRESSIONANTES CIRURGIAS ESPIRITUAIS. ”

Dr. Fritz, outra vez
Paulo Germano é um dos mais renomados jornalistas de Porto Alegre. Em sua coluna de fim de semana de Zero Hora (11 e 12 de junho), ele relata impressionante caso de presumível cura obtida por seu amigo Fabian Chelkanoff, professor de jornalismo, mediante “cirurgia espiritual” feita pelo médium gaúcho, Mauro Vieira, que estaria “incorporando” o espírito Doutor Fritz.
O fenômeno Dr. Fritz é bastante conhecido no Brasil e no mundo, desde que, lá pela década de 50/60 do século passado, a entidade, que teria sido um médico alemão, passou a operar através do médium Zé Arigó, com métodos nada convencionais. Os relatos, registrados em livros, documentários e reportagens, em diversos países, mostram o médium enfiando tesouras e facas, sem qualquer assepsia, no nariz, na boca ou no estômago de pacientes, não sentindo estes dor alguma e sem que disso resultasse qualquer infecção. Dessa forma, eram retirados tumores e tecidos doentes, registrando-se curas, tidas como “milagrosas”. Depois de Zé Arigó, vários médiuns, utilizando idênticos métodos, afirmaram atuar sob a influência do Dr. Fritz.
A razão
A coluna “A razão e o Doutor Fritz”, que pode ser lida em zhora.co/pg_1106  , relata com minudência a intervenção a que se submeteu o amigo de Paulo Germano, com o mais recente médium que afirma operar sob a intervenção do Dr. Fritz. O paciente havia sofrido três AVCs e uma isquemia cerebral, com sequelas muito graves. Mas estas sumiram, como por encanto, após nada mais dos dois minutos em que Mauro, um servente de obras de Rosário do Sul, manteve enfiada uma tesoura na narina do professor universitário.
Ao se reportar ao episódio, Germano confessa que uma de suas maiores inquietações se refere à existência ou não de Deus e de qualquer “fenômeno sobrenatural”. Mas que, diante de episódios assim, uma coisa ele aprendeu: “a ciência não dá conta de tudo” e “a razão, muito menos”.
O humano e o divino
Escrevi a ZH - http://wp.clicrbs.com.br/doleitor/?topo=13,1,1,,,13 – sugerindo ao colunista que, para tentar administrar suas dúvidas, começasse por tirar Deus dessa história. Não precisamos, para conferir razoabilidade a episódios dessa natureza, recorrer à velha fórmula de que existem: a) uma razão divina, inacessível à compreensão dos homens, onde se situam os “milagres”; e b) uma razão humana, à qual a ciência e a lógica terrenas estão submetidas. Essa dicotomia entre o sagrado e o profano, o sobrenatural e o natural, é uma criação arbitrária das religiões. O princípio filosófico da sobrevivência da consciência – ou do espírito -, defendida por pensadores de todos os tempos, inclusive do nosso, desvinculados da religião, por si só, confere razoabilidade a fenômenos dessa ordem.
Simples: se sobrevivemos, é natural que guardemos valores humanos como amor e ódio, egoísmo e solidariedade, disposição e/ou aptidão, - ou não - para agirmos em favor ou em prejuízo dos que aqui ainda estão. Mediunidade é coisa muito humana.
Inteligência e causa
E Deus? Bem, se guardarmos dele a ideia defendida pelas religiões, de uma entidade pessoal todo poderosa, mas arbitrária, voluntarista, que a uns concede graças e a outros as nega, que a uns castiga e a outros premia, por critérios somente seus, descomprometidos da razão, fica, realmente, difícil aceitá-lo.
Retirando Deus da sobre naturalidade e inserindo-o no âmbito das leis naturais, como propôs Kardec, a coisa começa a mudar.
A filosofia espírita nunca teve a pretensão de explicar Deus, nem lhe cabe provar sua existência. O objeto de estudo do espiritismo é o espírito, sua sobrevivência e sua relação com o mundo material. Mas, o conceito de Deus exarado na questão número 1 de O Livro dos Espíritos – “inteligência suprema e causa primeira de todas as coisas” – além de afastá-lo do antropomorfismo em que o prenderam as religiões, insere-o num universo racional e inteligente, por onde tudo transita, inclusive o espírito humano.

(Coluna publicada nas edições de julho dos jornais OPINIÃO, do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, e ABERTURA, do Instituto Cultural Kardecista de Santos)