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segunda-feira, 24 de julho de 2017

“A CURA DO ESPÍRITO”

No livro Fonte Viva, ditado pelo espírito de Emmanuel, na psicografia de Francisco Xavier, o autor do livro, comentando sobre as enfermidades físicas e espirituais, diz o seguinte: "O comprimido ajuda, a injeção melhora, mas os verdadeiros males partem do coração", numa alusão cabal e completa, que na realidade, quem adoece é o espírito, e o corpo físico, é apenas um instrumento de excreção das mazelas que incomodam o espírito.
Só mesmo quando o ser consciente se recolhe na sua estrutura íntima, pode perceber a existência do seu mundo interior, que em síntese, é quem comanda o seu cosmo físico e mental; sendo na realidade, a verdadeira fonte de sua subsistência, e por isso foi que Jesus afirmou com absoluta certeza: "Nem só de pão vive o homem".
Essa existência interior do ser humano é a da consciência imortal, que apresenta níveis que transcendem a interpretação humana, e corresponde à vida da alma, que depois de muitas experiências no campo da carne e do espírito, deixou-se atrair pelo núcleo mais profundo da sua realidade íntima. Podemos então dizer que uma vida interiorizada não é uma vida mental-intelectual alimentada por percepções externas, mas na realidade voltada para o seu interior, onde se encontram "os tesouros” que, segundo Jesus, “não podem ser roubados". É interessante observar que, assim como o corpo físico, necessita de alimentos físicos o espírito imortal: esse viajor incansável da eternidade necessita de alimento espiritual. O alimento físico do corpo é o arroz, o feijão, a carne e outros nutrientes já conhecidos pelo homem, mas o alimento do espírito ainda passa despercebido dos seres humanos, preocupados em excesso com as coisas materiais.
O espírito necessita de silêncio, prece, recolhimento, leitura espiritual, música suave, meditação, concentração, e, principalmente do Culto no Lar; para que ele se sinta fortificado na sua estrutura eletromagnética, e assim, fornecer as energias que vão estabelecer o equilíbrio do corpo material. Sabemos perfeitamente que a harmonia da existência nos planos materiais está muito longe das energias dos planos sutis e rarefeitos do Universo, mas transformações importantes estão ocorrendo nesse período de transição do nosso Planeta. Mas a transformação maior terá que ser realizada pelo próprio homem, modificando seus hábitos, tendências e pendores; se afastando do ódio, do rancor, do ressentimento, da raiva, do ciúme, da maldade, da crueldade, da falsidade, da prepotência, do autoritarismo, do orgulho, do egoísmo, da mentira, que são corrosivos e não permitem que tenhamos uma saúde perfeita e real. O processo de cura real não pode ser encarado teoricamente, de uma forma exclusivamente externa, e sim passar a vivê-la na sua pureza, com uma permanente atitude de responsabilidade diante de Deus, da vida e dos homens, mantendo uma convivência pacífica com os semelhantes, não invadindo fronteiras alheias, afastando-se dos crimes, escândalos e falcatruas, candidatando-se com o tempo, a um processo de cura espiritual e física, ainda desconhecido do homem terreno.
Em uma de suas Cartas aos Gentios, o Apóstolo Paulo, um dos maiores seguidores do Cristo de todos os tempos, faz uma advertência rigorosa para a humanidade: "Desperta tu que dormes, e o Cristo te iluminará", numa alusão clara e insofismável que, se não acordarmos para a vida interior, ou seja, a vida do espírito, dificilmente alcançaremos a nossa liberdade espiritual, e em consequência, a nossa cura verdadeira. Podemos afirmar ainda com absoluta certeza que, parte das nossas dores, sofrimentos, decepções e desilusões, assim como enfermidades físicas e espirituais, são sombras; sombras que utilizamos para envolver nossos companheiros de jornada em épocas passadas, e que agora voltam contra nós, a fim de através do trabalho e de disposições voltadas para o bem, possamos transformá-las em raios de luz. O homem é na realidade o que ele pensa, o que ele sente e o que ele exercita nos movimentos que empreende no relacionamento com os outros, e quando ele consegue se harmonizar com os seus semelhantes, afastando a ideia errônea de vencer os outros para vencer a si mesmo, certamente está no caminho certo para curar todos os males, quer provenham do corpo físico, ou do espírito imortal, esse nômade do espaço, esse andarilho do infinito.

Djalma Santos-Correio Espírita

“ESPAÇOS ESPIRITUAIS. ”

"Não se turbe o vosso coração. Credes em Deus e também em mim. Há muitas moradas na casa de meu Pai; se não fosse assim, já vos teria dito, pois vou vos preparar lugar, e depois que me tenha ido, e preparado o lugar, voltarei e vos retirarei para mim, a fim de que onde eu estiver também vós estejais" (Jesus - Evangelho São João, Cap. 14; Vers. de 1 a 3).
Um dos assuntos que mais intrigam os adeptos das Doutrinas Espiritualistas é o assunto que trata do local onde as almas, retiradas do mundo físico depois da "morte", irão estacionar. A maioria das religiões, seitas e doutrinas diversas, falam em moradas celestes, como o céu, o paraíso, ou lugares venturosos, onde os eleitos de Deus ou de Jesus ficariam felizes numa espécie de adoração beatífica, sem nada fazer, e aí, encontraria a felicidade que não estaria na Terra.
Do mesmo modo, essas Instituições Religiosas indicam lugares tenebrosos, sombrios e de grande sofrimento, como: o inferno, purgatório, umbral, trevas, abismo e outras denominações de locais circunscritos, em que as almas penadas sofreriam por muito tempo, até resgatar os pecados que contraíram junto aos companheiros e companheiras de jornada evolutiva aqui na Terra. A Doutrina Espírita não aceita a ideia de lugares fixos ou circunscritos, em nenhuma hipótese, do bem ou do mal, e sim, adverte, que cada ser humano, ao desencarnar, leva para o outro lado da vida, o Céu ou o Inferno que construiu dentro de si mesmo.
O Papa João Paulo II, já desencarnado, afirmou antes de morrer em um Jornal de Roma, e que foi republicado no Jornal O Globo, um texto sobre esse assunto, em que ele disse o seguinte: “O Céu, o Inferno e o Purgatório, não existem como lugares fixos ou circunscritos, e sim, são ‘estados da alma’, demonstrando de uma forma cabal e completa, que passamos a vivenciar no além, o nosso estado mental íntimo, obedecendo sempre os valores conquistados por cada um de nós”.
Na mesma entrevista, o Papa afirma categoricamente que: “A morte não representa o fim e não separa as pessoas, pois aqueles que atravessam as águas enigmáticas do rio da ‘morte’, não estão perdidos no espaço, e sim em algum lugar; recebendo com muita alegria e felicidade, nossos pensamentos e sentimentos de bondade em relação a eles”, deixando uma ideia clara e precisa de que "ninguém morre". Outro ponto importante desse assunto, é que muitas religiões e crenças acreditam que as almas permanecem nesses lugares em posição estacionária, o que contraria a Lei da Evolução, que faz com que todos os seres caminhem sempre para frente e para cima, mesmo quando estão em condições desfavoráveis.
É claro que o avanço mais rápido vai depender do esforço de cada um; do desejo intenso de crescer, superar e transcender, utilizando para isso o corpo físico, instrumento divino de apresentação externa, mas que, se bem utilizado, certamente dará ao espírito imortal, esse viajor da eternidade, esse nômade do espaço, esse andarilho do infinito, as condições ideais para o seu aprendizado durante a jornada terrena. O importante para o ser humano é saber de antemão que nunca estará sozinho ou desamparado, tendo sempre ao seu lado seu guia espiritual, e também membros de sua parentela familiar, independente de sua condição moral ou intelectual. As moradas da casa do pai estão disseminadas no espaço infinito e, com certeza, teremos acesso a todas elas dependendo apenas do nosso avanço moral e intelectual, galgando sempre aos poucos, a escada infinita que separa esses mundos do Universo de Deus.
Ainda segundo muitos filósofos, pensadores, e escritores, o céu seria habitado por espíritos bons, ditosos e celestiais, enquanto o inferno seria habitado pelos espíritos maus, invejosos, cruéis, vaidosos e assassinos, que ali sofreriam todo tipo de castigo jamais imaginado pela mente humana; até que cansados e arrependidos, pudessem voltar à normalidade evolutiva. O espiritismo rejeita essa premissa, e diz que o castigo é a dor da consciência culpada, que pode desaparecer, se forem usados os antídotos do perdão, do remorso e do arrependimento; e o empreendimento num trabalho incessante em benefício dos outros. Quando conseguimos plantar nos corações daqueles que nos cercam a alegria e a felicidade, a felicidade dos outros nos buscará, aonde quer que possamos estar, aqui ou no além, a fim de implantar em definitivo, a nossa suprema ventura.

Djalma Santos-Correio Espírita