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segunda-feira, 25 de setembro de 2017

“O ENCONTRO DE DUAS ALMAS PREDESTINADAS. ”

Allan Kardec foi um dos poucos filósofos de seu tempo a discorrer sobre o amor e suas implicações. Afirmou, à época, que “nem a lei civil, nem os compromissos que ela faz contrair podem suprir a lei do amor se esta lei não preside a união; disso resulta que, frequentemente, o que se une à força, se separa por si mesmo; infelicidade que se evitaria se, nas condições do casamento, não se fizesse abstração da única lei que o sanciona aos olhos de Deus: a lei de amor”.
Algumas histórias de amor parecem escritas pelo destino. Tem que acontecer e pronto! Isso não determina um romance feliz ou não, mas um amor de almas. São laços fortes do passado. Pessoas que se reencontram após vidas sucessivas de paixão, ódio ou amor.
O destino pode aproximar duas pessoas, mas as escolhas, os comportamentos são determinados pelo livre arbítrio. A partir do momento em que nos responsabilizamos por nossas escolhas, acertos e erros, mudamos nossa vida. Em vez de vítima, seremos o agente da sua própria história!
Na luz do Espiritismo, há uma explicação para uma ligação tão forte: as vidas sucessivas.
Mas não somos meros joguetes do destino, obras do acaso. Aceitamos ou não os caminhos que nos são postos a seguir. Certo, apenas é que é difícil fugir a um compromisso que selamos na Espiritualidade antes de reencarnarmos.
Mesmo que você não acredite na reencarnação, o seu passado cármico está escrito no seu inconsciente. Durante o sono, seu espírito fica livre da matéria por algumas horas e relembra tudo. Você, conscientemente ou inconscientemente sabe porque sofre, porque atraiu ou não determinada pessoa. No entanto, Deus não quer que duas pessoas fiquem juntas por obrigação. Só o amor deve unir. Mesmo que haja algo muito forte, você conta com o livre arbítrio.
Duas almas são predestinadas quanto tem uma missão a cumprir juntas, e assim, por ter sido um encontro marcado lá do outro lado, onde pactuaram voltar, para se encontrarem e realizar determinada missão, sendo assim, quando as almas se encontram, tudo pode acontecer, podendo haver a explosão do amor não vivido em outras vidas.
Este amor chega sem ter dia marcado ou momento marcado para acontecer.
Simplesmente chega, e se instala, criando uma verdadeira orgia de sentimentos alegres, que modificam todos os propósitos e conceitos até então firmados.
O encontro de duas almas tem como foco principal, não a aparência física, mas a afinidade entre elas existente, e o que o destino a elas destinou, como o porquê e o quando tudo deve acontecer.
Existem momentos de tristeza, causada por uma dúvida que machuca, que gostaria de saber o porquê de não se terem encontrado antes, ainda mais quando o momento desse encontro acontece quando não é mais possível extravasar toda a plenitude do amor que trazem, quando não é mais possível viver a alegria de amar e querer compartilhar a vida com o outro. Enfim, como essas almas se sentem sem a possibilidade de realizar este amor em total plenitude, o que causa um inexplicável sentimento de saudade de algo que não foi vivido.
Uma saudade doída de algo vivido em outras vidas, saudade daquilo que poderia ter sido, mas que por alguma razão não o foi.
Reconhecem, porém, que não haverá retorno para suas pretensões, e mesmo estando distantes, entendem a alegria, a tristeza, o querer um do outro.
Estas almas falam além das palavras, e aliás, delas não precisam, pois se comunicam, se encontram, se amam pelo éter, pelo espaço sideral. São encontros etéricos.
Se o reencontro ocorrer no tempo certo, estas almas afins se entrelaçam e buscam a forma de juntas ficarem, num processo contínuo de reaproximação até a consumação do resgate daquilo que vieram cumprir.
De diferente for, se o reencontro ocorre num espaço de tempo diferente do que suas realidades possam permitir, ainda assim estas almas ficam marcadas, e nunca conseguirão se separar, mesmo que os corpos se separem, elas continuarão a se sentir, pois almas que assim se encontram não mais se sentirão sozinhas, pois reconhecerão a necessidade que têm uma da outra para toda a eternidade.
São almas que atravessam os tempos, as muitas passagens, buscando o resgate final de seu amor, até que em determinada passagem conseguem cumprir o resgate, tendo então seu descanso final, quando conseguem ter um lindo dia.
Marcial Salaverry-
Outra Fonte:

http://www.amordealmas.com/2009/05/espiritismo-diz-que-lei-do-amor-rege.html

domingo, 24 de setembro de 2017

“UM CORPO PARA O ALÉM”

O Homem é um Espírito encarnado em um corpo material. O perispírito é o corpo semi material que une o Espírito ao corpo material. Allan Kardec define o corpo espiritual como perispírito, composto a partir do prefixo grego peri, em torno. Seria, portanto, como que o “revestimento” do Espírito.
O perispírito é o elo de ligação entre o Espírito e a carne.
Daí dizer-se que o homem é composto de três partes distintas:
Espírito, perispírito e corpo físico.
Como o perispírito é uma espécie de fôrma da forma física, ao desencarnar o Espírito tende a conservar a morfologia humana. Em condições especiais pode tornar-se visível aos homens, como nos casos citados.
Há múltiplas funções exercidas pelo corpo espiritual.
Está sempre presente nos fenômenos mediúnicos. É a natureza de sua ligação com o corpo físico que vai determinar se o indivíduo terá maior ou menor sensibilidade, se terá determinada faculdade a desenvolver.
Quando alguém está extremamente debilitado fisicamente, afrouxam-se os laços perispirituais, facultando-lhe visões do mundo espiritual. Esta a razão pela qual os moribundos parecem ter alucinações, reportando-se à presença de familiares e amigos desencarnados. Realmente os veem.
A saúde subordina-se estreitamente às condições do perispírito. Grande parte dos males físicos e psíquicos que nos afetam reflete seus desajustes.
A fluidoterapia ou a aplicação do passe magnético, prática comum nos Centros Espíritas, é uma transfusão de energias que tonificam o corpo celeste, com excelentes resultados.
Melhor ainda são os cuidados profiláticos – evitar o desajuste para não se perder tempo, nem desgastar-se com ele.
O perispírito reflete a vida íntima.
Consciência tranquila, deveres cumpridos, virtude cultivada – perispírito saudável.
Consciência culpada, irresponsabilidade, envolvimento com o vício, pensamento desajustado – perispírito comprometido.
Alguns casos ilustrativos.
• A mulher que pratica o aborto habilita-se à esterilidade, tumores e infecções renitentes.
• O alcoólatra terá problemas no sistema digestivo, particularmente no fígado.
• O fumante experimentará dificuldades respiratórias, envolvendo enfisema pulmonar, bronquite, asma…
• O suicida terá desajustes e enfermidades relacionados com a natureza do suicídio, a maneira que escolheu para furtar-se aos desafios da vida.
• O maledicente experimentará limitações no exercício da palavra – distúrbios vocais, dificuldade de raciocínio.
As consequências de nossas ações gravam-se no corpo etéreo a cada gesto, a cada má palavra, a cada pensamento negativo, refletindo-se em nossos estados emocionais, a gerar variados problemas físicos e psíquicos.
Por isso, se queremos cultivar a saúde e sustentar a harmonia, é preciso que observemos preciosa orientação do apostolo Paulo (Epístola aos Filipenses, 4:8):
Tudo o que é verdadeiro,
Tudo o que é honesto,
Tudo o que é justo,
Tudo o que é puro,
Tudo o que é amável,
Tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.

Richard Simonetti, livro Espiritismo, Uma Nova Era para a Humanidade.

“RELACIONAMENTO HOMO AFETIVO NA VISÃO ESPÍRITA”

A Doutrina Espírita não condena a homossexualidade; ao contrário, a respeita.
A Doutrina Espírita é libertadora por excelência. Ela não tem o caráter tacanho de impor seus postulados às criaturas, tornando-as infelizes e deprimidas. A energia sexual pede equilíbrio no uso e não abuso ou repressão. A Doutrina Espírita não condena a homossexualidade; ao contrário, recomenda-nos o respeito e fraterna compreensão para com os que têm preferências homo afetivas. Muitas vezes, pode até ser alguém tangido pelo apelo permissivo que explode das águas tóxicas do exacerbado erotismo, somado aos diversos incentivadores pseudocientíficos da depravação, que podem estar desestruturando seu sincero projeto de edificação moral, através de uma conduta sexual equilibrada. Por isso mesmo, não pode ser discriminado, nem rejeitado, pois a mensagem de Jesus é a de “amar o próximo como a si mesmo”.
Como já vimos com Emmanuel no início desta exposição, não há masculinidade plena, nem plena feminilidade na Terra. Tanto a mulher tem algo de viril quanto o homem de feminil. Antigamente, a educação muito rígida e repressiva contribuía para enquadrar o indivíduo homossexual de acordo com a expectativa social em volta, contrariando suas tendências espontâneas. Assumir a homossexualidade não significa mergulhar em um universo de atitudes extremadas e desafiadoras perante seu grupo de relacionamento familiar ou profissional, “mas fazer um profundo exercício de auto aceitação, asserenar-se por dentro, a fim de poder reconhecer perante si mesmo e todo seu círculo de amigos e parentes que vivem uma situação de desafio. O verdadeiro desafio é a construção interna para orientar saudável e equilibradamente os desejos. E não estamos aqui referindo-nos exclusivamente a desejo sexual e sim a toda espécie de desejos que comandam a vida das criaturas”. Emmanuel enfatiza: “O mundo vê, na atualidade, em todos os países, extensas comunidades de irmãos em experiência dessa espécie [homossexual], somando milhões de homens e mulheres, solicitando atenção e respeito, em pé de igualdade devidos às criaturas heterossexuais”.
União estável[casamento] entre duas pessoas do mesmo sexo.
Ante a miopia preconceituosa do falso purismo religioso da esmagadora maioria de cristãos supostamente “puros”, isso é uma blasfêmia. Isto torna o tema bastante complexo, e não ousaríamos opinar com a palavra definitiva. Estamos, portanto, aberto a discussões. Porém, após refletir bastante sobre o assunto e, sobretudo, tendo como alicerce as opiniões de Chico Xavier, entendemos que a união estável [casamento] entre homossexuais pode ser legítima, até porque cada um deve saber de si o que melhor norteia sua própria felicidade.
Só conseguiremos entender melhor a questão homossexual depois que estivermos livres dos (pré)conceitos que nos acompanham há muitos milênios. Arriscaríamos afirmar que a legalização do casamento entre duas pessoas do mesmo sexo é um avanço da sociedade, que estará apenas regulamentando o que de fato já existe.
Tanto o homossexual como o heterossexual devem buscar a sua reforma interior, não cedendo aos arrastamentos provocados pelos impulsos instintivos e sensuais. Lembremos: o que é ilícito ao hétero, também o é ao homossexual.
Ambos precisam “distinguir no sexo a sede de energias superiores que o Criador concede à criatura para equilibrar-lhe as atividades, sentindo-se no dever de resguardá-las contra os desvios suscetíveis de corrompê-las. O sexo é uma fonte de bênçãos renovadoras do corpo e da alma”.
Mister, portanto, reconhecer que ao serem identificados os pendores homossexuais das pessoas nessa dimensão de experiência é imperioso se lhes oferte o amparo educativo pertinente, nas mesmas condições com que se administra instrução à maioria heterossexual da sociedade.
Acreditamos, por fim, que estas idéias poderão levar, a quantos as lerem, a meditar, em definitivo, sobre o assunto, lembrando que a homossexualidade transcende em si mesmo a simples questão da permuta sexual.
Fonte: Kardec Rio Preto-Jorge Hessen, autor do texto
Bibliografia: -Vida e Sexo, Emmanuel




“OS CATÓLICOS TAMBÉM FALAM COM OS ESPÍRITOS”

Falar com os espíritos, através de médiuns, sempre foi uma atitude banal ao longo da história da humanidade. Allan Kardec (o codificador do Espiritismo) descobriu as leis que regem esse tipo de comunicações. Agora é a vez dos católicos dizerem que afinal é possível falar com os familiares já falecidos. Ora veja!
O Padre Gino Concetti, comentador do «Observatore Romano», fala do Mais Além de uma nova maneira.
O Padre Gino Concetti, é irmão da Ordem dos Franciscanos Menores, um dos teólogos mais competentes do Vaticano, e comentarista do «Observatore Romano», o diário oficial do Vaticano.
A intervenção do padre Concetti, publicado num artigo desse jornal, é muito importante, porque, aqui se vêem as novas tendências da Igreja a respeito do paranormal, sobre o qual, até agora, as autoridades eclesiásticas haviam formulado opiniões diferentes. Sustenta ele que, para a Igreja Católica, os contactos com o Mais Além são possíveis, e aquele que dialoga com o mundo dos defuntos não comete pecado se o faz sob inspiração da fé.
Vejamos pois alguns extratos da entrevista, publicada no Jornal Ansa, em Itália, em Novembro de 1996.
Resposta - «Segundo o catecismo moderno, Deus permite aos nossos caros defuntos, que vivem na dimensão ultraterrestre, enviar mensagens para nos guiar em certos momentos de nossa vida. Após as novas descobertas no domínio da psicologia sobre o paranormal a Igreja decidiu não mais proibir as experiências do diálogo com os trespassados, na condição de que elas sejam levadas com uma finalidade séria, religiosa, científica.»
P - Segundo a doutrina católica, como se produzem os contatos?
R - «As mensagens podem chegar-nos, não através das palavras e dos sons, quer dizer, pelos meios normais dos seres humanos, mas através de sinais diversos; por exemplo, pelos sonhos, que às vezes são premonitórios, ou através de impulsos espirituais que penetram em nosso espírito. Impulsos que se podem transformar em visões e em conceitos.»
P - Todos podem ter essas percepções?
R - «Aqueles que captam mais frequentemente esses fenómenos são as pessoas sensitivas, isto é, pessoas que têm uma sensibilidade superior em relação a esses sinais ultraterrestres. Eu refiro-me aos clarividentes e aos médiuns. Mas as pessoas normais podem ter algumas percepções extraordinárias, um sinal estranho, uma iluminação repentina. Ao contrário das pessoas sensitivas podem raramente conseguir interpretar o que se passa com elas no seu foro íntimo.»
«O Diálogo com os mortos não deve ser interrompido, pois na realidade, a vida não está limitada pelos horizontes do mundo.»
João Paulo II
(2 Nov 1983, perante mais de 20.000 pessoas)
P - Para interpretar esses fenómenos a Igreja permite-lhes recorrer aos chamados sensitivos e aos médiuns?
R - «Sim, a Igreja permite recorrer a essas pessoas particulares, mas com uma grande prudência e em certas condições. Os sensitivos aos quais se pode pedir assistência, devem ser pessoas que levam as suas experiências, mesmo aquelas com técnicas modernas, inspiradas na fé. Se essas últimas forem padres é ainda melhor. A Igreja interdita todos os contatos dos fiéis com aqueles que se comunicam com o Mais Além, praticando a idolatria, a evocação dos mortos, a necromancia, a superstição e o esoterismo; todas as práticas ocultas que incitem à negação de Deus e dos sacramentos»
P - Com que motivações um fiel pode encetar um diálogo com os trespassados?
R - «É necessário não se aproximar muito do diálogo com os defuntos, a não ser nas situações de grande necessidade. Alguém que perdeu em circunstâncias trágicas, seu pai ou sua mãe, ou então seu filho, ou ainda seu marido e não se resigna com a ideia do seu desaparecimento, ter um contacto com a alma do caro defunto pode aliviar-lhe o espírito perturbado por esse drama. Pode-se igualmente endereçar aos defuntos se se tem necessidade de resolver um grave problema de vida.
Nossos antepassados, em geral, ajudam-nos e nunca nos enviarão mensagens nem contra nós mesmos nem contra Deus.»
P - Que atitudes convém evitar durante contatos mediúnicos?         
R - «Não se pode brincar com as almas dos trespassados. Não se pode evocá-las por motivos fúteis, para obter por exemplo um nº do Loto. Convém também ter um grande discernimento a respeito dos sinais do Mais Além e não muito enfatizá-los. Arriscar-se-ia a cair na mais suspeita e excessiva credulidade. Antes de mais nada não se pode abordar o fenómeno da mediunidade sem a força da fé.»
José Lucas

(Extracto da entrevista publicada na revista “Presença Espírita” do Instituto de Pesquisas Psíquicas (IPP) de Salvador - Bahia - Brasil)

“O PAPA FRANCISCO E O ESPIRITISMO”

“O homem que em certa posição possa se vangloriar, se achar indispensável ou insubstituível, não tem a consciência que todos necessitam uns dos outros.
Desde o início do seu papado, Francisco mostrou ser um homem muito espiritualizado, bem mais que os seus antecessores. Simples, utiliza de palavras fortes que chegam com impacto em nossa alma. Deixou a contemplação externa para a interiorização, com o objetivo de dar valor ao homem pelo seu íntimo, pela sua alma. Demonstrou seu amor pelo próximo e um carinho especial às crianças. Mostrou-me muito mais com palavras que encontro constantemente no estudo da Doutrina Espírita, como se quisesse repassar os ensinamentos de Jesus de um modo mais claro, como fez Kardec na sua codificação.
Em 22 de dezembro passado, na mensagem de Natal, o Papa Francisco surpreendeu a todos quando pediu aos cardeais para que "façam um exame de consciência". Provocou-lhes, como diz a reportagem'1', um certo desconcerto até mesmo nos altos funcionários da Santa Sé. Citou, em forma de comparação, inúmeras patologias que acometem o seu meio religioso.
Referiu o Papa a cada um dos seus súditos para não "sentir-se imortal e insubstituível, sem defeitos, privado de autocrítica, que não se atualiza e nem tenta melhorar". Para deixar bem claro estas suas palavras sugeriu: "é preciso visitar os cemitérios para ver os nomes de tantas pessoas que se consideravam imunes e indispensáveis".
Num certo momento da sua palestra, o líder religioso usou expressões fortes como "terrorismo falatório", "rivalidades pela glória", "exibicionismo mundano" e "excesso de atividade", quando aconselhou o respeito às férias e dedicar momentos de descanso com a família. Prosseguiu pedindo aos seus cardeais que façam um exame de consciência ante o que chamou, aliás numa feliz comparação, de "Alzheimer espiritual", atribuindo este mal a "uma petrificação mental e espiritual", seguida de "excesso de planejamento e funcionalismo", "má coordenação". Segundo ele, "uma grave doença do esquecimento do fervor da fé inicial". Associada a essa doença o Pontífice referiu-se a uma outra: a "esquizofrenia existencial - quem esquece que está a serviço das pessoas, que dependem das suas próprias paixões, caprichos, manias e constroem a seu redor muros e costumes. Sanar esta grave enfermidade é urgente e indispensável, e, ainda, deixar de só pensar no que pode obter e não no que pode oferecer". Outras patologias citadas pelo Papa foram "a doença da indiferença para com os demais" e "da cara fúnebre - já que o religioso deve ser uma pessoa amável, serena e entusiasmada".
Pontífice orientou a todos que ' cura é fruto da tomada de consciência da doença". Por último pedi aos bispos e cardeais "que permitam que o Espírito Santo inspire as suas ações, ao invés de confia apenas em suas capacidades intelectuais". Dias depois, num outro pronunciamento disse que a "liberdade religiosa é um fator inalienável do homem".
Entendi que esses pedidos não foram apenas para os cardeais, bispos e sacerdotes católicos, mas indireta ou diretamente aos lideres políticos e religiosos e também ; todos os homens do planeta.
O Papa teve a coragem de expor suas ideias e palavras e o mérito erra afrontar perigos e supostos sarcasmos, sem temer confessá-las claramente, mesmo sabendo que não sãc do agrado de todo o mundo. Não se pode esquecer que Jesus também exteriorizou esta coragem em toda a sua vida.
Com todos os adjetivos utilizados pelo Papa em seu discurso, tudo me fez lembrar os ensinamentos de Kardec, que com a sua lógica científica esclarecedora, se aprofunda mais nos embasamentos. Em um deles ensina que "todos os homens serão submetidos às mesmas leis da Natureza. Todos nascem com a mesma fraqueza, estão sujeitos às mesmas dores e o corpo do rico se destrói como o do pobre. Portanto, não deu a nenhum homem superioridade natural, nem pelo nascimento, nem pela morte. Diante dele, todos são iguais"'2'.
O Papa teve a coragem de expor suas ideias e palavras e o mérito em afrontar perigos e supostos sarcasmos.
0 homem que em certa posição possa se vangloriar, se achar indispensável ou insubstituível, não tem a consciência que todos necessitam uns dos outros. 0 desejo de possuir só para si para obter satisfações pessoais é egoísmo. Kardec(2) esclarece que "o meio mais prático e mais eficaz para se melhorar nesta vida e resistir aos arrastamentos do mal é conhecer-se a si mesmo (autocrítica, autoanálise ou exame de consciência, como referiu o Papa), para que ocorra o progresso espiritual.
Em todos os contextos sociais, especialmente no religioso, muitos indivíduos são recrutados por palavras e diálogos pouco convincentes, quando não, melindrosos e ardilosos para que uma igreja (de qualquer corrente religiosa) consiga um maior número de adeptos ou fiéis e assim possam, cada vez mais, progredir materialmente. Kardec'3' apresenta uma mensagem clara sobre este ponto: "não violenteis nenhuma consciência; não forceis ninguém a deixar a sua crença para adotar outra; não lançais anátema sobre aqueles que não pensam como vós; acolhei aqueles que vêm ameaçador e constrangedor. Isto ocorre com quase todas as pessoas nos diferentes contextos da vida. Quanto ao exibicionismo mundano e à rivalidade, de modo velado, quis o Papa referir-se aos últimos escândalos de corrupção da igreja, mas não é só na sua igreja que esses escândalos aparecem; pode-se afirmar que em quase todas, inclusive em muitos centros espíritas.
Quanto ao excesso de atividade citada pelo Papa, Kardec(2) também esclarece que "o meio mais prático e mais eficaz para se melhorar nesta vida e resistir aos arrastamentos do mal é conhecer-se a si mesmo"(2) (autocrítica, autoanálise ou exame de consciência, como referiu o Papa), para que ocorra o progresso espiritual.
Em todos os contextos sociais, especialmente no religioso, muitos indivíduos são recrutados por palavras e diálogos pouco convinha vós e deixai em paz os que vos repelem. Lembra-vos das palavras de Cristo; outrora o céu se tomava pela violência, hoje pela brandura".
Ficou claro nas palavras do Pontífice que está ocorrendo entre os membros da sua igreja a rivalidade, numa competição desenfreada para superar o outro com objetivo de declarar-se, ilusoriamente, melhor, demonstrando egocentrismo, muitas vezes, através do falatório ensina que o repouso depois do trabalho é uma necessidade e está dentro da lei natural. Serve para reparar as forças do corpo e deixar a inteligência com um pouco mais de liberdade para se elevar acima da matéria.
Por petrificação mental e espiritual podemos entender tornar-se duro, insensível e desumano. Referiu o Papa a má coordenação pelo excesso de funcionalismo e planejamento da sua igreja, quando leva--se em conta, prioritariamente, o bom andamento da igreja em detrimento ao acolhimento fraterno dos indivíduos. Repetimos que isto não ocorre só na igreja católica.
Quando referiu o Papa sobre a esquizofrenia existencial, associou-a com a terrível psicose, na qual o enfermo constrói um mundo só seu, muitas vezes hermeticamente fechado, rechaçando o convívio com o próximo e, não raro, cuidam muito bem do seus caprichos e costumes. Relembrei muito bem de 0 Livro dos Espíritos, quando Kardec(2) orienta que o homem é um ser social e necessita do convívio para evoluir através das diferenças. Mesmo aquele que se isola para a contemplação e meditação está se esquecendo dessa lei da sociedade. Esclarece, ainda, sobre os homens que se abandonam à vida contemplativa, não fazendo nenhum mal e não pensando senão em Deus. Isto não tem nenhum mérito perante o Criador, porque se não fazem o mal, não fazem o bem e são inúteis. Aliás, não fazer o bem já é um mal. Deus quer que se pense nele, mas não quer que se pense só nele, visto que deu ao homem deveres a cumprir sobre a Terra. O homem deve progredir e sozinho não pode, porque não tem todas as faculdades, por isto necessita do contato com outros homens. O homem que vive em reclusão para fugir do contato com o mundo é portador de um duplo egoísmo. O voto do silêncio e o do isolamento priva o homem das relações sociais que podem lhe fornecer as ocasiões de fazer o bem e de cumprir a lei do progresso.
Quanto ao esquecimento do fervor da fé inicial, entendi que é a fé que Jesus recomendava aos seus filhos pelo Pai, sobre todas as coisas. Talvez, tudo o que o Papa quis com o seu discurso seja a renovação do homem pela sua fé. Para entender bem sobre a fé de uma maneira clara, Kardec(3) nos ensina: "do ponto de vista religioso, a fé é a crença nos dogmas particulares que constituem as diferentes religiões; todas as religiões têm os seus artigos de fé. Sob este aspecto, a fé pode ser cega ou raciocinada. A fé cega, não examinando nada, aceita sem controle o falso como verdadeiro e se choca contra a evidência e a razão. A fé que tem por base a verdade é a única segura do futuro, porque não tem nada a temer do progresso, já o que é verdadeiro na obscuridade o é igualmente em plena luz. Preconizar a fé cega é confessar impotência em demonstrar que se tem razão. Não há fé inabalável senão aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade".
Alerta, ainda, que não se deve confundir a fé com a presunção, com os preconceitos da rotina, com o interesse material, com o egoísmo, com as paixões orgulhosas e muito mais. Para Kardec13' a fé sincera é sempre calma e se alia à humildade.
Senti que é a fé que o Papa Francisco demonstra ter e querer que todos os que o rodeiam a tenham, por isto pediu-lhes um exame de consciência.
Também aqui o recado foi para todos os orientadores religiosos, muitos dos quais são portadores dessa doença, no dizer do Papa, que pouco se importam com o próximo como deveriam. Muitos ministram suas palavras com pouco entusiasmo, com caras fechadas, de modo antipático, querendo acabar logo o seu pronunciamento. Esquecem da candura de Jesus quando falava aos seus seguidores, esquecem da coisa mais importante que é mensagem feita com amor. Como é notório, isto acontece em quase todas ou em todas as correntes religiosas.
O Sumo-pontífice disse que a cura das enfermidades é a tomada de consciência da doença. Isto é concordante com os ensinamentos da Doutrina Espírita, quando esclarece que a maioria das enfermidades tem a causa no espírito. O autoconhecimento é a chave para a melhora ou cura das doenças e, consequentemente, para o progresso.
De forma consistente e incisiva propôs aos bispos e aos cardeais e, indiretamente, a todos os seres humanos, que devem dar atenção aos seus próprios Espíritos e ao Espírito Santo (bons espíritos) que os acompanham e os inspiram em todas as ações da vida, para não acharem que tudo é obra somente da capacidade intelectiva.
O Papa deixou claro que quer mudanças, se possível, profundas; por isto pediu a renovação aos seus discípulos, e porque não, a todos os homens. Isto é reforma íntima que é recomendada, insistentemente pela Doutrina Espírita que diz ser urgente, intransferível, de cada ser, nas bases traçadas pelo Evangelho de Jesus.
Creio que o Pontífice, como um espírito evoluído, orientado por bons e evoluídos espíritos (Espírito Santo, como refere) já deslumbrou um futuro com o conjunto harmonioso na obra do Criador, onde a solidariedade liga todos os homens e todos os seres de todos os mundos. Isto é mais um ensinamento de Jesus!
Fonte: A Casa do Espiritismo
1. Jornal Cruzeiro do Sul. "Papa Francisco diz que a Cúria sofre de Alzheímer espiritual" - Sorocaba/ SP, 23/12/2014, p. A9.
2. KARDEC, Allan. 0 Livro dos Espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. Rio de Janeiro: FEB, 1985,63-ed., questões 682,770 a 772, 803 e 919.
3. . O Evangelho Segundo o Espiritismo. Trad. Salvador Gentile. Araras/SP: IDE.1985, 47a ed., p. 244 a 246 e 297.


O autor é médico psiquiatra e participa de atividade-espíritas em Sorocaba-SP. - José Luiz Condotta | jlcondotta@splicenet.com.br - RIE DE FEVEREIRO DE 2015