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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

“AS RELIGIÕES E A MEDIUNIDADE”

Nos poucos anos que passamos por esta existência vivemos em uma realidade toda pessoal, formamos as nossas verdades baseados em informações que chegam até nós trazidas da espiritualidade. Nossas verdades estão impregnadas da nossa própria personalidade, das nossas experiências e das nossas vivências nas muitas personagens que animamos e estas verdades se fazem mais palpáveis após desencarnarmos.
Notamos, nos Espíritos que nos trazem as informações que precisamos, haver em cada um o seu próprio conceito sobre a mesma verdade e por isso existem múltiplas formas de se afirmar a mesma coisa. Já com o Espiritismo tenta-se eliminar ao máximo os conceitos pessoais das verdades propagadas para que permaneça a pureza do ensinamento. Foi assim que se formaram diversas religiões ao longo da História,  já que não deve existir uma única religião que não teve a sua formação pela mediunidade, e se tratando de médiuns cada um possui sua própria personalidade, conceitos e interpretação própria, sendo assim, não evoluíram os escolásticos religiosos dentro de muitos debates, já que cada um enxergava a mesma coisa do seu próprio ponto de vista.
Com o Cristianismo houve uma base forte trazida pelo Cristo, a qual, mesmo submetida aos conceitos degradados dos homens medievais, permaneceu algo de concreto em se tratando de moral e fé. O evangelho, como este mesmo reza, sobreviveu aos ventos e tempestades, pois estava firmado na rocha das verdades imutáveis do Cristo e não na areia do doble ânimo humano, o qual é inconsistente e instável, propenso a modificações e na verdade tem que ser assim visando a evolução da humanidade.
Já nos meios escolásticos da teologia católica ou protestante não se há como ter uma evolução sadia nos ensinos objetivando a verdade, já que os mesmos prenderam-se na tradição literária e onde Paulo falou “a letra mata e o espírito vivifica” estes pressupõem que seus seminários os preparem para o ensino, quando entendemos que o verdadeiro ensino vem do Espírito, o qual é eterno e reencarnante e por isso versado em milhares de disciplinas ainda que não lembre quando encarnado. Foi por isso que os cristãos primitivos davam muito mais importância à vivência no evangelho e era isso que designava eclesiásticos para o serviço da igreja, não a sapiência secular, mas sim a experiência evangélica no viver cotidiano, pois o exercício dessa vivência faz o Espírito despertar para aquilo que combinou em realizar antes de reencarnar, sendo assim, não nasceu o cristianismo para ser uma religião e sim uma filosofia de vida baseada no Cristo e nos seus ensinamentos.
O viver dos cristãos primitivos era muito simples e baseavam-se eles em três palavras-chaves para uma vida evangélica e cheia de bons frutos. Essas palavras eram a fé, a esperança e o amor ao Cristo e ao próximo. Vendiam eles tudo que tinham: casas, campos e pertences, para doar à comunidade para que nada do que é vestes e mantimento, também abrigo, faltasse para ninguém. Por isso todos tinham tudo em comum, já que eram uma comum unidade, comunidade.
Veja como nos afastamos da simplicidade desses primeiros irmãos. Hoje formamos centros teológicos com gastos exorbitantes só para provarmos os nossos próprios conceitos religiosos, enquanto muitos carecem de agasalhos, alimentos e abrigo. Como esperar o retorno do Cristo para nós? Certamente seríamos envergonhados ante a sua sublime luz de caridade, ele que até o mais básico negou a si mesmo, não tinha onde reclinar a cabeça, para poder atender à sua geração de sofredores e enfermos. Sim, ele que era ridicularizado pelos seus conterrâneos por pregar a humildade e a misericórdia, chegando ao ápice de entregar-se à uma morte dolorosa, cuspido e humilhado e levando uma cruz tão pesada sobre os ombros, na qual foi pregado com enormes cravos que lhe rasgaram os pulsos até as palmas das mãos, os espinhos rasgaram a sua fronte chegando a perfurar o seu crânio, deixando transparecer a massa encefálica e uma lança pontiaguda encravada em seu fígado, e após tanto, ainda lhe negaram um simples copo de água para atenuar um pouco, se possível que fosse, o seu sofrimento. Sua manifestação nas nuvens dos céus, como reza a tão pobre escatologia teológica, certamente seria motivo de dolorosa vergonha para nós que alheios ao sofrimento dos desafortunados empilhamos diplomas e mais diplomas, livros e mais livros, títulos e mais títulos, sem no entanto empreender um por cento que seja daquilo que ele realizou.
Pobres almas nós somos, tão cheios de nós mesmos, cheios de sapiência, quando a verdadeira sabedoria é dar, somente dar sem nada olhar. Pastores que se apascentam a si mesmos, ovelhas gordas distantes do matadouro é o que somos, quem dera pudessem ser degoladas para que o choro da morte produzisse algum fruto verdadeiro. Não, eu não quero a sua volta como tantos falam, porque fugiria diante de sua luz, prefiro mil vezes ir até ele de degrau em degrau, até receber em minha própria evolução a sua imagem, e dessa forma até mesmo a minha adoração por ele findará prova irrefutável de que eu me elevei moralmente a caminho do Pai de todos os espíritos.
Artigo de autoria de Rodrigo Pnt .
Presbítero evangélico e estudioso da Doutrina Espírita




“OS MORTOS VOLTAM PARA SE COMUNICAREM COM OS VIVOS?

O programa “Você Decide”, da Rede Globo de Televisão, realizado no dia
26.05.1994, teve como tema central: “Se o testemunho de um morto poderia ser
aceito num tribunal”. Com o desenrolar do programa ficou bem nítido que a
questão fundamental era na verdade se um morto poderia se comunicar com os
vivos.
Ao final do programa o resultado apurado foi: 48.359 sim 69% e 21926 não 31%.
Observamos que a grande maioria das pessoas acredita na possibilidade da
comunicação dos “mortos” com os vivos. Mas infelizmente pelo programa percebemos que tem pessoas que ainda não sabem o que é realmente um Centro Espírita, inclusive a certa altura foi dito: “por conta desses espertalhões que exploram as pessoas nos centros espíritas”.
Nós sabemos que não corresponde à verdade, e sinto-me no dever de explicar às pessoas o que vem a ser um verdadeiro Centro Espírita. O falso Centro Espírita é fácil de conhecer, não procuram seguir nem estudar os princípios da Doutrina Espírita, compilados na codificação de Kardec. Estão ainda presos aos ritos africanos, usam e abusam dos banhos de descarregos, defumadores, velas,
consultas aos espíritos para as coisas frívolas, na tentativa de buscar os “milagres” para solucionar seus problemas do dia a dia.
Mas voltemos ao tema que desejamos desenvolver. Se uma pessoa disser que não acredita de forma alguma que os “mortos” se comunicam com os vivos não me importaria, pois muitas vezes a falta de conhecimento, o misticismo, o medo, os princípios religiosos que abraça, podem tolher a visão de modo que não consegue enxergar a verdade, por mais óbvia que seja. Um exemplo, não muito longe de nosso tempo, foi quando Galileu Galilei vinha, com uma nova teoria, dizer que a Terra não era o centro do Universo, quase lhe custou a vida numa fogueira.
O que não posso aceitar são as afirmações de que na Bíblia não tem, ou seja, que a comunicação dos mortos não se encontra no Livro Sagrado, e se não tem, não isto pode acontecer. Para estas pessoas só poderemos dizer que não possuem nenhum conhecimento da Bíblia ou que apenas conhecem alguma parte, mas não conhecem o conjunto e que a visão do conjunto muitas vezes nos leva à
compreensão de uma verdade que não aparece num simples enunciado.
Um telespectador é o exemplo do que falo cita: “Que Paulo disse que somente morremos uma vez; que iremos aguardar o juízo final”.
Analisando estas citações vamos ver se isoladas têm sentido. Se aceitarmos que somente morremos uma vez chegaríamos à conclusão que Jesus e os apóstolos não poderiam ressuscitar ninguém, pois se isto acontecesse, para estas pessoas, haveria duas mortes, o que seria contrário à citação. Mas se o verdadeiro sentido, baseado nos conhecimentos da Doutrina Espírita, fosse de que neste corpo físico somente morreremos uma vez e em definitivo. Isto também valeria para cada corpo que habitamos, em todas nossas outras reencarnações.
Quanto ao julgamento no dia do juízo final, veremos que seria contraditório com a afirmativa de que ao morrermos iremos para o céu ou para o inferno, conforme tenhamos sido bons ou maus, enquanto vivíamos aqui na Terra. Ora no dia do julgamento se diz que Deus irá julgar os vivos e os mortos, e como recompensa teremos o céu ou o inferno. Assim sendo, afinal quando é mesmo que iremos para o céu ou para o inferno, no dia da nossa morte ou no dia do julgamento final?
E, finalmente, vamos agora buscar dentro das Escrituras algumas passagens que podem sustentar ou evidenciar a comunicação com os mortos. A mais evidente do Novo Testamento, fora as que narram Jesus entre nós depois que havia morrido, é a narrada por Mateus (17, 1-4): “Seis dias depois, Jesus tomou consigo a Pedro, Tiago e seu irmão João, e os levou a um lugar à parte, sobre um alto
monte. Transfigurou-se diante deles: seu rosto brilhava como o sol e sua roupa tornou-se branca como a luz. Então lhes apareceram Moisés e Elias, conversando com Ele. Pedro interveio, dizendo a Jesus: ” Senhor, como é bom estarmos aqui! Queres-se, farei aqui três tendas: uma para ti, outra para
Moisés e outra para Elias.” Trata-se de um fenômeno de materialização, onde os espíritos de Moisés e Elias apareceram a Jesus, Pedro, Tiago e João.
Repetimos espíritos, pois Moisés e Elias já haviam morrido, e nesta passagem é relatada a comunicação deles, pois conforme fala Mateus, estavam estes espíritos conversando com Jesus.
Em Atos 16, 16-18: “Certa vez, enquanto nos dirigíamos para o lugar de oração, veio ao nosso encontro uma jovem criada, que possuía um espírito adivinhador. Com suas adivinhações, ela conseguia muito lucro aos seus senhores. Ela começou a seguir Paulo e a nós, gritando:” Estes homens são servidores do Deus Altíssimo; eles vos ensinam o caminho da salvação. “E assim
procedeu por muitos dias. Finalmente Paulo, aborrecido, virou-se para ela e disse ao espírito:” em nome de Jesus Cristo, eu te ordeno que saias dela.
” E ele saiu no mesmo instante “. Paulo na ordem que deu ao espírito para que saísse daquela moça estava, na verdade, se comunicando com este espírito, que há algum tempo vinha lhe elogiando, que para isto se utilizava o corpo da moça, o que vulgarmente se chamaria de incorporação.
Em Atos 8, 26-29: “O anjo do Senhor dirigiu a Filipe estas palavras:” Tu irás rumo ao Sul, pela estrada que desce de Jerusalém a Gaza. Ela está deserta.
“Filipe partiu imediatamente. Ora, vinha chegando um etíope, eunuco e alto funcionário da corte de Candace, rainha da Etiópia que lhe tinha entregue a guarda de todos os seus tesouros. Ele tinha ido a Jerusalém adorar a Deus. Agora voltava, lendo o profeta Isaías, sentado em sua carruagem. O Espírito
disse a Filipe: ” Aproxima-te e acompanha essa carruagem.” Mais uma comunicação, onde um espírito orienta a Filipe sobre como ele deveria agir.
E para que não reste mais nenhuma dúvida sobre a comunicação dos mortos com os vivos, vamos agora ver no Antigo Testamento. A passagem é bem nítida e uma das mais citadas no meio espírita para comprovar, na Bíblia, a comunicação dos mortos. Iremos então ler em I Samuel 28, 7-20: “O rei disse aos seus servos:
” Procurai-me uma necromante para que eu a consulte. ” – ” Há uma em Endor “, responderam-lhe. Saul disfarçou-se, tomou outras vestes e pôs-se a caminho com dois homens. Chegaram à noite à casa da mulher. Saul disse-lhe: ”
Predize-me o futuro, evocando um morto; faze-me vir aquele que eu te designar”. Respondeu-lhe a mulher: ” Tu bem sabes o que fez Saul, como expulsou da terra os necromantes e os adivinhos. Por que me armas ciladas para matar-me?”
Saul, porém, jurou-lhe pelo Senhor: “Por Deus, disse ele, não te acontecerá mal algum por causa disto”. Disse-lhe então a mulher: “A quem evocarei?” – “Evoca-me Samuel“. E a mulher, tendo visto Samuel, soltou um grande grito: “Por que me enganaste?” – Disse ela ao rei. “Tu és Saul!” E o
rei: “Não temas! Que vês?” – A mulher:” Vejo um deus que sobe da terra”. –” Qual é o seu aspecto?” –”É um ancião, envolto num manto “. – Saul compreendeu que era Samuel, e prostrou-se com o rosto por terra. Samuel disse ao rei: ” Por que me incomodaste, fazendo-me subir aqui? – “Estou em grande angústia, disse o rei. Os filisteus atacam-me e Deus se retirou de mim, não me respondendo mais,
nem por profetas, nem por sonhos. Chamei-te para que me indiques o que devo fazer”. – Samuel disse-lhe: “Por que me consultas, uma vez que o Senhor se retirou de ti, tornando-se teu adversário? Fez o Senhor como ele o tinha anunciado pela minha boca. Ele tira a realeza de tua mão para dá-la a outro, a Davi. Não obedeceste à voz do Senhor e não fizeste sentir a Amalec o fogo de sua
cólera; eis porque o Senhor te trata hoje assim. E mais: o Senhor vai entregar Israel, juntamente contigo, nas mãos dos filisteus. Amanhã, tu e teus filhos estareis comigo, e o Senhor entregará aos filisteus o acampamento de Israel”.
Saul, atemorizado com as palavras de Samuel, caiu estendido por terra, pois estava extenuado, nada tendo comido todo aquele dia e toda aquela noite”.
Mais claro do que isto é impossível, entretanto como diz Jesus: “ouça quem tem ouvidos de ouvir”. Pela narrativa, Saul vai procurar uma necromante a fim de consultar ao espírito Samuel, sobre o que aconteceria na batalha com os filisteus. Ouve, via “incorporação”, de Samuel que Deus lhe entregaria aos filisteus, é em resumo os fatos narrados.
Por fim citaremos Deuteronômio, 18, 9-12: “Quando tiveres entrado na terra que o Senhor, teu Deus, te dá, não te porás a imitar as práticas abomináveis da gente daquela terra. Não se ache no meio de ti quem faça passar pelo fogo seu filho ou sua filha, nem quem se dê à adivinhação, à astrologia, aos agouros, ao feiticismo, à magia, ao espiritismo, à adivinhação ou à evocação dos mortos, porque o Senhor, teu Deus, abomina aqueles que se dão a essas práticas, e é por causa dessas abominações que o Senhor, teu Deus, expulsa diante de ti essas nações”.
Ao proibir a evocação dos mortos, Deus, partindo do pressuposto que esta ordem é Dele, nos dá o maior atestado de que a comunicação com os mortos é real, pois não haveria sentido nenhum proibir algo que não pudesse acontecer. 
Quanto ao termo espiritismo, trata-se de uma grosseira adulteração dos textos, pois é um neologismo criado em 1857 por Allan Kardec, quando, aos 18 dias do mês de abril, lança o “Livro dos Espíritos”. De mais a mais para os leigos espiritismo e evocação dos mortos são a mesma coisa, também, não haveria sentido proibir a mesma coisa duas vezes.
O que fica e, é para nós, irrefutável é que a comunicação dos mortos é possível desde muito tempo atrás, apesar das mentes fechadas não quererem ver o óbvio.
Para os que têm a Bíblia como palavra de Deus, procurem sair da incoerência em que se encontram, e vejam que com seus próprios argumentos, a palavra de Deus, fala incontestavelmente da comunicação dos mortos com os vivos, e novamente, recordando Jesus: “ouça quem tem ouvidos de ouvir”.
Fonte: Portal do Espírito-Paulo da Silva Neto Sobrinho
Bibliografia:
Novo Testamento, LEB – Edições Loyola, 1984.
Bíblia Sagrada, Editora Ave Maria, 68ª Edição.



quinta-feira, 17 de agosto de 2017

“ALIMENTO DOS DESENCARNADOS. COMO E DO QUE SE ALIMENTAM OS ESPÍRITOS? ”

O entendimento sobre a questão da alimentação no Mundo Espiritual é de profunda importância.
Quando encarnados elegemos, com exceções, o regime alimentar fundamentado em alimentos densos e gordurosos, criando  a viciação física e o condicionamento psicológico correspondente.
O Benfeitor André Luiz nos dá informações a respeito da alimentação dos desencarnados, falando da dificuldade que a Governadoria da colônia Nosso Lar enfrentou, há mais de um século, para realinhar os costumes dos recém-chegados, na criação de nova cultura comportamental através de cursos, “… a fim de espalharem novos conhecimentos, relativos à ciência da respiração e da absorção de princípios vitais da atmosfera”. (1)
Como mudanças comportamentais exigem esforço e abnegação, um grande número de desencarnados reagiu, “… alegando que a cidade é de transição e que não seria justo, nem possível, desambientar imediatamente os homens desencarnados, mediante exigências desse teor, sem grave perigo para suas organizações espirituais”. (1)
Por fim, após muitos anos, e com ajuda dos círculos espirituais do Alto, os processos de alimentação da Colônia“… foram reduzidos à inalação de princípios vitais da atmosfera, através da respiração, e água misturada a elementos solares, elétricos e magnéticos”.
A mudança é significativa, e merece nossas reflexões a respeito, porque, se nos dias de encarnados já temos esclarecimentos sobre o impacto nocivo da alimentação excessiva no corpo físico, preciso é que nos conscientizemos acerca do tipo de alimentação que nos aguarda no Mundo Espiritual organizado.
André Luiz volta ao assunto em o livro Evolução em dois Mundos:
Encarecendo a importância da respiração no sustento do corpo espiritual, basta lembrar a hematose no corpo físico,… atendendo à assimilação e desassimilação de variadas atividades químicas no campo orgânico.
O oxigênio que alcança os tecidos entra em combinação com determinados elementos, dando, em resultado, o anidrido carbônico e a água, com produção de energia destinada à manutenção das províncias somáticas.
Estudando a respiração celular, encontraremos, junto aos próprios arraiais da ciência humana, problemas somente equacionáveis com a ingerência automática do corpo espiritual nas funções do veículo físico, porque os fenômenos que lhe são consequentes se graduam em tantas fases diversas que o fisiologista, sem noções do Espírito, abordá-los-á sempre com a perplexidade de quem atinge o insolúvel.
É que o corpo espiritual, comandando o corpo físico, sana espontaneamente, quando harmonizado em suas próprias funções, todos os desequilíbrios acidentais nos processos metabólicos, presidindo as reações do campo nutritivo comum.
Não ignoramos, desse modo, que desde a experiência carnal o homem se alimenta muito mais pela respiração, colhendo o alimento de volume simplesmente como recurso complementar de fornecimento plástico e energético, para o setor das calorias necessárias à massa corpórea e à distribuição dos potenciais de força nos variados departamentos orgânicos.
Abandonado o envoltório físico na desencarnação, se o psicossoma está profundamente arraigado às sensações terrestres, sobrevém ao Espírito a necessidade inquietante de prosseguir atrelado ao mundo biológico que lhe é familiar, e, quando não a supera ao preço do próprio esforço, no auto reajustamento, provoca os fenômenos da simbiose psíquica, que o levam a conviver, temporariamente, no halo vital daqueles encarnados com os quais se afine, quando não promove a obsessão espetacular.
Na maioria das vezes, os desencarnados em crise dessa ordem são conduzidos pelos agentes da Bondade Divina aos centros de reeducação do Plano Espiritual, onde encontram alimentação semelhante à da Terra, porém fluídica, recebendo-a em porções adequadas até que se adaptem aos sistemas de sua tentação da Esfera Superior, em cujos círculos a tomada de substância é tanto menor e tanto mais leve quanto maior se evidencie o enobrecimento da alma, porquanto, pela difusão cutânea, o corpo espiritual, através de sua extrema porosidade, nutre-se de produtos sutilizados ou sínteses quimioeletromagnéticas, hauridas no reservatório da Natureza e no intercâmbio de raios vitalizantes e reconstituintes do amor com que os seres se sustentam entre si.
Essa alimentação psíquica, por intermédio das projeções magnéticas trocadas entre aqueles que se amam, é muito mais importante que o nutricionista do mundo possa imaginar, de vez que, por ela, se origina a ideal euforia orgânica e mental da personalidade. Daí porque toda criatura tem necessidade de amar e receber amor para que se lhe mantenha o equilíbrio geral.
De qualquer modo, porém, o corpo espiritual com alguma provisão de substância específica ou simplesmente sem ela, quando já consiga valer-se apenas da difusão cutânea para refazer seus potenciais energéticos, conta com os processos da assimilação e da desassimilação dos recursos que lhe são peculiares, não prescindindo do trabalho de exsudação dos resíduos, pela epiderme ou pelos emunctórios normais, compreendendo-se, no entanto, que pela harmonia de nível, nas operações nutritivas, e pela essencialização dos elementos absorvidos, não existem para o veículo psicossomático determinados excessos e inconveniências dos sólidos e líquidos da excreta comum. (2)
Pensemos nisso. Fonte: Kardec Rio Preto-

Antônio Carlos Navarro

“VISITAS ESPIRITUAIS ENTRE VIVOS”

Há alguns anos, conversando com uma senhora de nossas relações de amizade, ouvimos o seu relato acerca das inúmeras vezes em que ela via, pela vidência mediúnica, o seu marido, em espírito, visitando o lar enquanto se encontrava a quilômetros em viagem profissional.
As visões aconteciam durante as madrugadas, quando acordada ela via o espírito do marido circulando pela casa, porém sem travar conversação, e sem ele ter consciência do fato quando questionado a respeito.
A Doutrina Espírita explica, detalhadamente, a ocorrência, já que é um acontecimento muito comum entre os encarnados, como nos ensinam os Espíritos Superiores:
O Espírito encarnado permanece espontaneamente no corpo?
– É como perguntar se o prisioneiro se alegra com a prisão. O Espírito encarnado aspira sem cessar à libertação, e quanto mais o corpo for grosseiro, mais deseja desembaraçar-se dele. (1)
Durante o sono, a alma repousa como o corpo?
– Não, o Espírito nunca fica inativo. Durante o sono, os laços que o prendem ao corpo se relaxam e, como o corpo não precisa do Espírito, ele percorre o espaço e entra em relação mais direta com outros Espíritos. (2)
Mas é no capítulo oito da segunda parte de O Livro dos Espíritos, sob o título “Da Emancipação da Alma”, que encontramos as explicações detalhadas sobre o assunto. (3)
Na oportunidade Allan Kardec questiona a Espiritualidade Superior se é caso de “dupla existência simultânea: a do corpo, que nos dá a vida de relação exterior, e a da alma, que nos dá a vida de relação oculta”, obtendo como resposta que “no estado de liberdade, a vida do corpo cede lugar à vida da alma. Porém, não são, propriamente falando, duas existências; são, antes, duas fases da mesma existência, uma vez que o homem não vive duplamente”.
Esclarecem os Espíritos que “duas pessoas que se conhecem podem se visitar durante o sono, e muitas outras que acreditam não se conhecerem também se reúnem e conversam. Podeis ter, sem dúvida, amigos num outro país. O fato de ir se encontrar, durante o sono, com amigos, parentes, conhecidos, pessoas que podem ser úteis, é tão frequente que o fazeis todas as noites”, e a “utilidade dessas visitas noturnas, uma vez que não fica lembrança de nada, é muito comum disso ficar uma intuição, ao despertar, e é frequentemente a origem de certas ideias que surgem espontaneamente”.
Sobre a possibilidade do homem poder provocar essas visitas espirituais por sua vontade dizendo ao dormir: “esta noite quero me encontrar em Espírito com tal pessoa, falar com ela e dizer-lhe alguma coisa”, o esclarecimento que se segue é que “o homem dorme, o Espírito se liberta e o que o homem tinha programado, o Espírito está bem longe de seguir, porque os desejos e vontades do homem nem sempre são os mesmos do Espírito, quando desligado da matéria. Isso acontece com os homens espiritualmente bastante elevados. Há os que passam de outra forma essa sua existência espiritual: entregam-se às suas paixões ou permanecem na inatividade. Pode acontecer que, considerando a razão da visita, o Espírito vá mesmo visitar as pessoas que deseja; mas a simples vontade do homem, acordado, não é razão para que o faça”.
Outra possibilidade que se apresenta é que vários “espíritos encarnados podem se reunir” porque “os laços de amizade, antigos ou novos, fazem com que se reúnam, frequentemente, diversos Espíritos, felizes de estarem juntos”.
A questão se volta para a necessidade de dominarmos nossas paixões e vícios, trabalhando para eliminá-los, e também de revermos quais são nossos interesses, mundanos ou espirituais, para podermos aproveitar ao máximo as oportunidades dos momentos de liberdade que o nosso espírito tem durante o sono físico, preparando-nos, paulatinamente, para o retorno definitivo à Pátria Maior, que é de onde viemos e mais uma vez para onde retornaremos após o término desta vida física.
Pensemos nisso.
Fonte- KARDEC RIO PRETO-Antônio Carlos Navarro
Referências Bibliográficas:
(1) O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, item 400;
(2) O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, item 401;

(3) O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, itens 413 a 418.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

"EXPIAÇÕES E PROVAS "Qual a diferença entre expiação e prova?

Expiação é o resgate "imposto" pela Justiça Divina a espíritos recalcitrantes (teimosos). Prova é o resgate "escolhido" por espíritos conscientes de seus débitos e necessidades.
Como identificar o espírito em expiação?
Geralmente é o indivíduo que não aceita seus sofrimentos, as situações difíceis que enfrenta, rebelando-se. Atravessa a existência a reclamar do peso de sua cruz.
E o espírito em provação?
Podemos identificá-lo como aquele indivíduo que enfrenta as atribulações da existência de forma equilibrada, aceitando-as sem murmúrios e imprecações. Como um aluno que se submete a exame, tenta fazer o melhor, habilitando-se a estágio superior.
É sempre assim?
Nada é definitivo no comportamento humano, já que exercitamos o livre-arbítrio. Um espírito em provação, que fez louváveis planos para a vida presente, pode refugar o que planejou. Da mesma forma, um espírito em expiação pode experimentar um despertamento da consciência, dispondo-se a enfrentar suas dores com dignidade, buscando o melhor.
Miséria é expiação?
Não é a posição social que determina a natureza das experiências vividas pelo espírito. O homem rico pode estar em processo expiatório, caracterizado por graves problemas. Por outro lado, a extrema pobreza pode ser uma opção do espírito em provação, atendendo a imperativos de sua consciência.
O que há em maior quantidade na Terra: espíritos em provação ou em expiação?
A humanidade é composta por uma maioria de espíritos imaturos, sem o necessário discernimento para planejar experiências. Situando-se nos domínios da expiação.
Dois espíritos vivem a mesma situação aflitiva. Nasceram com grave limitação física. Um está em expiação, outro em provação. O sofrimento é igual para ambos?
Provavelmente aquele que está em provação sofrerá bem menos. Tendo planejado a deficiência que enfrenta, tenderá a aceitá-la melhor. Isso tornará bem mais leve a sua cruz. Rebeldia, inconformação, revolta, desespero, são pesos adicionais que tornam a jornada humana bem mais sofrida.
Quando a Terra deixará de ser um planeta de expiação e provas?
Quando o homem terrestre deixar de ver no Evangelho um mero repositório de virtudes inacessíveis, elegendo-o por roteiro divino para todas as horas, com a invencível disposição de vivenciar seus princípios em plenitude.
- Richard Simonetti-Do livro: A força das ideias